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MARIANE EGGERT DE FIGUEIREDO LANÇA “ECOS DE FAMÍLIA”

Dia 17 de dezembro de 2008, às 19 horas, na Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa (em seu novo endereço na Avenida Getúlio Vargas, 245, Centro, Jaraguá do Sul) acontece o lançamento do livro “Ecos de Família ou Memórias de uma Saga Intercontinental”, de Mariane Eggert de Figueiredo, jaraguaense que seguiu para Florianópolis/SC, França, Fortaleza/CE e Países Baixos.

“Ecos de Família ou Memórias de uma Saga Intercontinental”(Design Editora, 256 páginas, entre R$ 25,00 e R$ 35,00) não é só mais um livro contando as agruras dos imigrantes. Sua narrativa nos mostra diferentes visões de mundo, abrangendo desde a culinária à lingüística, do preconceito à inventividade do brasileiro, da tragédia à morte na paz do leito, cercada por parentes chorosos.

“Sim, meu livro, na verdade, é o fruto de anos de contato com pessoas vindas de diferentes culturas e trazendo, portanto, diferentes visões de mundo. Minha experiência pessoal de infância numa colônia de imigrantes e, mais tarde, a imersão num ambiente repleto de estrangeiros em países estrangeiros, levaram-me a refletir profundamente sobre a existência humana e a ver em seus meandros, muito mais do que atos e fatos, mas uma espécie de magia da vida, em que tudo se mescla e se intercala. Penso que riso e o pranto, a dor e a alegria, a vida e a morte, fazem tão parte de nós quanto a decisão frívola de, hoje, por exemplo, vestir uma camiseta branca e não azul. Por isso, pensei que só a grande aventura não chegava. Falar deles como se falasse de heróis ou mártires de livros de história, longe do nosso dia a dia ou de nossas interrogações rotineiras, era não dar o devido valor ao que foram. Precisava desses ingredientes mais palpáveis dando cor e tempo às emoções mais pungentes em nossa vida de agora. Na verdade, deixando de lado a filosofia e floreado da palavra, confesso que é tudo mesmo influenciado pela minha própria vivência. O que sem dúvida prima, é o fato de ser descendente de emigrados e de vir parar na terra deles. A emoção de saber que eles nunca puderam voltar e que eu estava contemplando as mesmas paisagens, foi muito forte. Era preciso compartilhá-la. Penso que muita gente deve sentir mais ou menos as coisas da mesma maneira. Ou não? Como falar apenas de emigração-imigração, sem falar de todo o resto? Daquilo que somos, das coisas de que gostamos, os medos ou as angústias que sentimos?
Adoraria ver este livro lançado na Alemanha, público culturalmente mais próximo das intrigas; na França, pela reflexão filosófica, as influências que o país exerce sem querer e sem saber, no mundo inteiro; em Portugal, nossa pátria-mãe de todos e que também viu tantos emigrantes partirem rumo ao nosso país; na Suíça, país culturalmente complexo em que coexistem as diferentes línguas, assim como os Países Baixos, país de aventureiros do além-mar”, relata a autora.
“Quando se convive com as pessoas, no dia a dia, nesses países todos, é incrível ver a surpresa estampada em seus rostos ao ouvirem o que contamos sobre nossa história e nossa gente (oriunda, muitas vezes, das culturas deles). Tirando belgas e alemães, poucos são os que têm realmente noção do fenômeno imigratório brasileiro e do que implica para nós em termos de cultura, folclore e modos de ser”, diz Mariane Eggert de Figueiredo, que finaliza:
“Assim como os sonhos, os países são muitos. São etapas a serem vencidas. Antes, porém, preciso olhar para perto dos pés a fim de não tropeçar já nos primeiros passos. Não é mesmo?”

Orelha do livro

Quando trens ofuscam realidades e o mito corre solto pelas estradas da vida, fica difícil tentar entender que na Alemanha não existam baraten nem television sem passar por essa viagem com a personagem Marushka. Misturando reflexões existenciais e fatos extraídos do cotidiano da autora, Marushka faz reviver em seu tempo seus ancestrais, imigrantes do século XIX.

Num quebra-cabeças de flashes, as histórias se contam e se deixam imaginar, entrelaçando-se e deixando-se arrematar por comentários e reflexões da narradora, a partir dos dias atuais. São “ecos de família” ou, antes, alegrias e tristezas, curiosidades e questionamentos sobre o verdadeiro sentido de uma família, seus valores e sua evolução através das gerações.

Da Europa ao Brasil, do sonho do paraíso à instalação em terras do Engenho Jaraguá ou de Itajaí, passando por encontros inesperados com onças nos matos de Timbó, objetos sem uso, ditos e receitas, Marushka revê o fenômeno da colonização alemã. Se é pra rir ou chorar, Marushka só quer fazer lembrar.

A autora

Mariane cursou o 2º Grau no Colégio São Luís. A coordenadora Lígia Emmendorfer, em 1986, a convidou para lecionar inglês para primário e ginásio até a sexta série. Lecionou um ano e saiu, mas em seguida o diretor, irmão Alcídio João Schmidt, entrou em contato para que ela retomasse o magistério, passando a dar aulas de inglês para ginásio e segundo grau (manhã e noite) e português para o segundo grau à noite. Em 1987 graduou-se em Letras na FURJ (atual UNIVILLE), em Joinville. À época, também lecionou no CCAA de Jaraguá do Sul, na Reinoldo Rau.
Em 1989, seu marido foi fazer Mestrado na UFSC, o que a fez deixar o São Luis e o CCAA e, logo, começar a lecionar no CCAA de Florianópolis (Centro). No ano seguinte foi para o CCAA da Trindade e assumiu a direção pedagógica, cargo que exerceu até metade de 1991, quando novamente seguiu o marido, que dessa vez foi fazer doutorado na França.

Para ela, a oportunidade foi a realização de um sonho, morar na Europa, pois desde pequena se banhara nessa atmosfera e já tinha recusado convite de amigos, logo depois que seus pais faleceram: tinha então 15 anos e não estava pronta para ir embora.

Moraram quatro anos em Lille, no norte da França. Lá, seu marido – Reginaldo – fez tese em Ciência dos Materiais e ela aproveitou para estudar francês e passar diplomas oficiais (DELF e DALF). Durante 3 anos, estudou no Departamento de Estudantes do Exterior, convivendo com gente das mais diferentes nacionalidades. Continuou seus estudos no Departamento Letras, onde fez algumas disciplinas do terceiro ano do curso de francês e também o último ano do curso de português. “A experiência foi gratificante e de muita serventia mais tarde”, registra Mariane.
Voltaram ao Brasil em 1995, aterrissando em Fortaleza, meio por acaso. As saudades da França, porém, os fizeram querer voltar para o outro lado do oceano. Lá, os contatos e a boa fama deixada permitiram a eles conseguir trabalho. O Reginaldo na Universidade em que fez o doutorado e ela, após fazer Mestrado em Lyon, conseguiu uma vaga de professora substituta no Departamento de Português em que havia estudado, na Universidade de Lille. Seguindo a via normal das coisas, foi defender Tese em Paris, doutorando-se em Linguística-Análise do Discurso, ao mesmo tempo em que continuava trabalhando em Lille: lecionou nesse departamento por sete anos.
Nesse meio tempo, seu marido teve uma boa oferta de emprego na Philips da Holanda: ficava a 200 km de Lille. Acabaram meio “separados”, ela dois ou três dias por semana na França, ele indo da Holanda na sexta-feira, para buscá-la. Agüentou esse ritmo por cinco anos. Lecionava em Lille para os cursos obrigatórios e disciplinas opcionais e fazia pesquisa em dois grupos, em Paris 8 e Paris 4, o que estava desgastando-a. Por isso, acabou abrindo mão da França e foi morar de vez nos Países Baixos. Desde então, dedica-se apenas à escrita. A criação venceu a pesquisa. A escrita literária, o texto técnico. Eventualmente, como free lancer, faz traduções.

Todos os anos, pelo menos nas festas de final de ano, o casal desloca-se para Jaraguá do Sul. Assim, revêem a todos e matam as saudades da terra, “que com os anos vão gritando mais e mais alto a dor que o exílio, mesmo proposital, fatalmente provoca”, segreda Mariane. Como já há alguns anos estava pesquisando e coletando dados, também aproveitava para matar mais esse coelho, além, claro, de saborear um pouquinho de verão no meio do inverno europeu. E ela tem muitos motivos para saudades: parentes em Jaraguá do Sul, Guaramirim, Joinville, São Bento do Sul, Rio Negrinho, Mafra, Florianópolis (pelo lado paterno) e maior concentração do lado materno no Vale do Itajaí (Itajaí, Gaspar, Ilhota, Rio do Sul, Blumenau, Indaial e Timbó), além de Jaraguá do Sul (“os Nagel, principalmente, dos quais todos são parentes”, evoca a autora).

Mariane Eggert de Figueiredo confessa suas preferências literárias: “Sempre fui vidrada em Machado de Assis. Por causa dessa mistura de cinismo, ironia, um jeito de brincar de esconde-esconde com o leitor. E, claro, o fato de ser o maior nome (na minha opinião) da Literatura Brasileira. Quando ainda bem pequena, mal sabia ler, caiu-me nas mãos um volume rabiscado por meus irmãos do Dom Casmurro. Não entendi muito bem o conteúdo, mas fiquei tão fascinada pelas ilustrações que, não sei por quê, decidi na hora que seria professora para trabalhar com textos. Depois, claro, também gosto de Graciliano Ramos, Drummond e Bandeira, na poesia. Só clássicos”.
Atualmente, ela é leitora e fã de João Ubaldo Ribeiro, pelo estilo e, bastante, pelas crônicas do Estado de São Paulo. Também aprecia as obras do Moacir Scliar e as histórias curtas do Fernando Sabino.
“Em nível internacional, meus professores franceses, desde o início, me identificaram como sendo “discípula” de Charles Baudelaire. Realmente, o “spleen” e o ideal, para mim, formam a essência da existência humana. Também gosto dos clássicos, Zola e Balzac pelo realismo das cenas da vida, sem esquecer Guy de Maupassant, pelas histórias mais curtas”, complementa.

Mariane Eggert de Figueiredo teve poesias, ensaios e contos selecionados e premiados na França, na Suíça e no Brasil.

Em 2007, pelas Edições Benevent, publicou em francês o romance “Emigrations, pain-cafard e autres Paris”, ficção em que trata a questão da identidade intercultural.

“L’actualisation des parémies dans le discours médiatique : approche sémantico-discursive des formes sentencieuses”, sua tese de doutorado sobre os provérbios na mídia brasileira, foi publicado em Lille, no ano de 2005, pelas Edições ANRT-Septentrion.