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FRANCISCO DESABAFA A RESPEITO DE CRÍTICAS FEITAS À POSTURA DO PT

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“Somos da escola da transparência e do entendimento”, desabafa vereador Francisco
“Ele disse que nós somos da escola. Somos da escola da transparência e do entendimento”. Desta forma, o vereador Francisco Valdecir Alves, líder da bancada do Partido dos Trabalhadores (PT), desabafou na tribuna da Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul na sessão de terça-feira (27 de outubro).
O desabafo do vereador diz respeito a uma entrevista que o secretário de Administração e da Fazenda da Prefeitura e marido da prefeita, Ivo Konell, deu a uma rádio local, onde quando questionado sobre o relacionamento com os vereadores, acusou a bancada petista, formada por Francisco e Justino da Luz, de sempre votar contra os projetos de interesse do município.
“Sabemos exatamente como é o comportamento dos vereadores. Por exemplo, os vereadores do PT. Jamais nós podemos esperar qualquer tipo de votação favorável à prefeita por parte dos vereadores do PT. Porque eles são da escola, eles são contra… Não podem apoiar em nada, seja em projetos bons para a comunidade ou não tão bons, eles são contra”, disse textualmente o secretário.
Francisco lembrou que acusar os vereadores de votarem sempre contra a Prefeitura não é verdade e basta uma conferida nos números da Câmara para comprovar isso. “É uma situação delicada. Entendo que toda a unanimidade é burra e não é isso que queremos ser. Temos posição e ideias diferentes. A gente quer que a administração funcione. E, como vereador, quero respeito em nome de todos os votos que conquistei”.
Tanto que dos mais de 200 projetos de autoria da Prefeitura aprovados neste ano pela Câmara, não mais que meia dúzia recebeu um não da bancada petista. E o vereador Francisco reivindica seu direito de votar de acordo com suas convicções, ideias e entendimento em torno dos projetos exaustivamente estudados antes de irem ao plenário. Até porque a função do legislador é justamente esta – fiscalizar as ações do Executivo e a aplicação dos recursos públicos, e não ser conivente. Ele chegou a cogitar se esta postura seria pelo fato de ele ser negro e o vereador Justino de fora da cidade, “um caboclo”.
O presidente do partido, Marcos Scarpatto, também já havia saído em defesa da bancada em entrevista na mesma rádio dizendo que de forma nenhuma o PT vota contra a comunidade. “Quando votaram contra, com certeza tinha um motivo”.
O vereador José Osorio de Avila (DEM), da base governista, tentou amenizar a situação dizendo que entende o sentimento do vereador Francisco e que assim que soube do conteúdo da entrevista conversou com o secretário Ivo Konell. Segundo José Osorio, Konell garantiu que não quis ofender os vereadores ao dizer que esta é a “escola do PT”, pois se referiu ao fato de ser oposição. “Não é perseguição por ser caboclo, que também sou da mesma origem. Sou caboclo e brasileiro”, disse Zé.
Francisco agradeceu e reiterou o pedido para que seus votos sejam respeitados. “A população que acompanha terá entendimento que os vereadores do PT estariam contra tudo e todos”. O desabafo do vereador Francisco acabou puxando uma série de outros assuntos, provocando um debate de pelo menos meia hora.
“Ao invés de ele criticar o partido, poderia usar o espaço na rádio para falar como estão as cirurgias de cataratas, por exemplo”, alertou Justino, que apresentou sua preocupação com as longas filas de espera no atendimento da saúde (veja reportagem anterior sobre o tema). Ele destacou o cuidado extremo que a bancada tem na análise antecipada de cada projeto, que sempre é discutida com a assessoria jurídica, os demais assessores, nas comissões e entre os vereadores. “Discutimos nas comissões, analisamos muito bem para evitar discussões em plenário e desconhecimento de causa”.
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O E-MAIL DA DISCÓRDIA[/b]

Além da saúde, entre uma explicação e outra o vereador José Osorio citou também outro fato que tinha provocado polêmica entre ele e o vereador Francisco na sessão anterior, do dia 22. Naquele dia, o vereador Francisco leu um e-mail de autoria do morador do bairro Rio Molha, Adelar Getelina, em que o mesmo pede socorro para a comunidade, que está isolada em função da obra para recuperar os deslizamentos que atingiram a única rua de acesso ao local.
Na presença de Getelina, que assistia à sessão desta terça, José reafirmou que não concorda com o conteúdo do e-mail, que diz que ninguém faz nada pelo Molha. Lembrou que o próprio morador participou de reuniões com Prefeitura, Defesa Civil e Secretaria de Desenvolvimento Regional, e que se a recuperação é lenta também é motivada pelo mau tempo. Para ele, “o tempo é o maior construtor da obra do Molha”.
Justino aproveitou então para mostrar um exemplar do suplemento AN Jaraguá do dia, com reportagem em que a empreiteira prevê a entrega da obra em 18 de novembro. Ele disse que entregaria uma cópia da mesma para Getelina, para que os moradores tenham agora uma data de referência. E lembrou que esta obra, embora administrada pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) do Estado, tem dinheiro federal.
O vereador Jaime Negherbon (PMDB) disse que, preocupado com o fato de a comunidade não ter outro acesso ao Molha que não por Massaranduba, foi em busca de possíveis soluções. E descobriu que tem um caminho sim, uma rua antiga que sai da Pedra Branca e vai até o bairro. “A rua está aberta. Falta é macadamizar e dar passagem aos veículos de pequeno porte”, sugeriu.

Jornalista responsável: Rosana Ritta – Registro profissional: SC 491/JP