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RAULINO CONTRA-ATACA E PEDE CASSAÇÃO DO CASAL KONELL

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Conforme já havia anunciado em reportagens publicadas na imprensa, o ex-secretário de Turismo, Cultura e Esporte da Prefeitura de Jaraguá do Sul e presidente da Comissão Central Organizadora (CCO) da Schützenfest, Ronaldo Raulino, fez graves acusações à prefeita Cecília Konell e ao marido dela, o titular das pastas de Administração e de Finanças do município, secretário Ivo Konell, durante seu depoimento aos vereadores membros da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores na tarde desta quarta-feira, diante de uma plateia lotada.
No depoimento, um dos mais esperados da CEI, o ex-secretário reforçou que Konell sabia sim e sempre participou das reuniões de organização da festa. Esta declaração contradiz o secretário, que na segunda-feira chegou a mandar o relator da comissão, o vereador Justino Pereira da Luz (PT), jogar uma ata em que sua presença era citada pela janela, argumentando que não havia assinado a mesma e por isso ela não valeria nada. Raulino brincou com Justino dizendo que se ele tivesse jogado não teria problema, pois ele lhe entregaria outra cópia.
E para ilustrar a influência do secretário na festa, disse que até mesmo o nome “nova” foi sugerido por ele. Inicialmente, esta palavra seria em alemão, mas como existe um vocábulo semelhante que seria sinônimo de morte, ficou-se com “Nova Schützenfest”. Magoado por ter tido sua vida como ele mesmo disse “achincalhada” desde que foi afastado da secretaria por suspeita de irregularidades, e na última sexta-feira, exonerado, ele garantiu que foi incumbido pela prefeita de ser o presidente da Comissão Central Organizadora (CCO) e ficar à frente da festa.
Reiterou o que disse quando esteve na Câmara no final de novembro em uma tentativa de prestação de contas, de que a festa foi um grande sucesso de público, e lamenta que tenha sido “maculada por um desvio de recurso que precisa ser apurado”. Este desvio, segundo o secretário, seria de responsabilidade da Fábrica de Shows. Posição que nem de longe retrata a harmonia demonstrada com a Fábrica em novembro, quando o contador José Gentil, conhecido por todos como Zezo, ao lado de Raulino, prometia prestação de contas e assumia todos os prejuízos com passividade.
Ao responder ao vereador Jaime Negherbon (PMDB) sobre quem indicou a Fábrica de Show para tocar a festa, Ronaldo disse que recebeu o projeto de uma nova festa, depois de um outro grande evento. Levou o mesmo ao conhecimento da prefeita, da Acijs, da imprensa, e quando ficou sabendo que o Instituto Anita Garibaldi, comandado por Marcelo Brother, que captaria os recursos, tinha pendências, acabou se desinteressando e este acabou mandando a Fábrica de Shows.
Raulino não nega que como secretário comandou a festa. Disse que como secretário tinha o dever de fomentar qualquer festa e evento do município. “Quem organizou a festa foi a Prefeitura de Jaraguá do Sul, tendo este secretário à frente. Afinal, tinha cinco secretários na CCO, mas outros 12 ou 13 cargos de pessoal de segundo e terceiro escalão”. Igualmente confirmou que o pessoal da Ambev esteve no gabinete do secretário Konell para tratar da bebida, mas foi mandado para a Fábrica de Show. “Houve caixa 2”, perguntou Jaime? “Que levaram, levaram, se foi muito ou pouco, temos que chamar este cidadão para explicar”.

[b]“TODO O HOMEM É LADRÃO E TODA A MULHER É VAGABUNDA”[/b]

Raulino ainda disse que Konell é da mentalidade que acha que todo o homem é ladrão e toda a mulher é vagabunda. E negou que a festa tenha movimentado mais de R$ 2 milhões. “Se fizer conta rápida de quanto chope foi vendido se chegará a uma conta não superior a R$ 1,5 milhão de faturamento”.
Atribui a disparidade entre público e pagantes à gratuidade e diz que parte do rombo pode ser explicado pelo fato que se sentia que o dinheiro do Estado (R$ 800 mil) viria e se contou com ele. “O Carnaval de Joaçaba ganhou R$ 1 milhão para uma festa de 20 mil pessoas. Não é acreditar em Papai Noel, pois projeto foi aprovado na SDR. O que não tem em Jaraguá do Sul é força política. Porque não veio dinheiro do Colombo? Porque não tinha negativa relativa ao Issem”, explicou.
Ele justificou a falta de licitação argumentando que a contratação da Fábrica é fruto de contrato com as sociedades de tiro, a quem procurou isentar desta vez. Ele disse que argumentou com Konell e a prefeita de que as sociedades não queriam fazer a festa, mas foi incumbido de fazer as sociedades entenderem a importância da mesma. Para argumentar que não agiu sozinho, disse que em nenhum momento um secretário vai fazer uma coisa sem conhecimento de seu superior. Konell conhecia sim todo o projeto e a Fábrica de Shows.
Ao vereador José Osorio de Avila (DEM), disse que não interferiu na gestão financeira, pois qualquer tipo de pagamento tinha que ter aval dele e do presidente das sociedades. Ingressos antecipados eram poucos, mais quando tinha shows. “Faturou-se muito, misturaram dinheiro e não apresentaram as contas. Precisamos investigar, porque minha vida foi achincalhada. Levaram dinheiro e o Ronaldo pagou o pato”. Segundo ele, é mentira que está construindo casa na praia, mora de aluguel e trocou o carro 2007 por um 2004.
Ele disse que assinou contrato de confissão de dívida junto ao Ecad, porque as licenças ficariam a cargo da Fundação Cultural. Mas quem esteve no Ecad foi o senhor Marcelo Muller, e garantiu que ninguém o conhece em Florianópolis. “Deveria ter pego assinatura da prefeita. Não sei porque o senhor Marcelo não o fez”. Por isso, solicitou cancelamento de empenhos posteriores. Concorda que era ele sim quem mandava na festa, reforçando os méritos pelo seu sucesso. Mas negou que tenha indicado shows, inclusive o de Zé Ramalho, que foi indicado pelo vice-presidente da CCO, o presidente da Fundação Cultural, Jorge de Souza. E disse que sugeriu às Bebidas Príncipe cobrar diariamente, mas não quiseram e agora dona Madalena está nervosa.
Justino lembra que a nomeação da CCO foi em 7 de agosto. Raulino confirmou que a prefeita queria Denise Silva e Gilmar Moretti, e que pela primeira vez a CCO teve dois vice-presidentes para contentar a prefeita, que pediu para dar a primeira vice-presidência para Jorge, “para ele não ficar muito tristinho”. A festa tem responsabilidade da Prefeitura? Ele disse que sim, mas que é preciso ter claro que o responsável pelo rombo é a Fábrica de Shows; e a Prefeitura pela festa, ciente de que a mesma não poderá de forma alguma cobrir este rombo e os prejuízos de fornecedores.
Raulino disse ao vereador Isair Moser (PR) que sempre informava a prefeita sobre o que estava ocorrendo, e repetiu que não faria uma festa daquele tamanho sem informá-la. Entende que Jaraguá merecia um pouco mais de consideração, citando valores destinados a outros e eventos pelo Estado.
Sobre uma suposta nota fiscal calçada em relação à publicidade da festa, disse que ela não tem nada a ver com a festa nem autorizou a publicação. Quem fez pedido de autorização foi seu funcionário Marcelo Muller, mas a mesma não faz parte da festa. Disse ainda que a prefeita não negociou camarote, mas tem conhecimento de ofício. Quando a prefeita pediu alguns dias de entrada franca, ele entendia que era quase um “suicídio”, mas o fez a mando dela. “O dia das crianças e idosos foi um dia muito bonito, com show do Moacir Franco, mas teve um custo e tudo contribuiu para ter o déficit da festa”.
Amarildo Sarti (PV) perguntou se ele tem conhecimento de alguma sindicância, mas ele disse que se foi feita não foi ouvido. Destacou que o pessoal de sua secretaria trabalhou muito e fez grande serviço. E entregou ao presidente CD com mais de 900 fotos sobre seu trabalho. E revelou que o dono da Fábrica, Genilson Medeiros, tinha dinheiro para cobrir as despesas da festa, mas queria a garantia de coordenar a próxima festa.
Há caminho para solucionar o problema com os fornecedores? Disse que tem que chamar o pessoal (leia-se Fábrica), fazer com que venham judicialmente mostrar, propôs um processo-crime para fazer esta gente pagar, reforçando que a Prefeitura não pode pagar. “Que eles arquem com as responsabilidades, porque eles têm patrimônio”.
Ele mesmo fez alguns contatos publicitários no município, assim como o som, mas toda a mídia foi contratada pela Fábrica de Show, e ainda haveria algumas dívidas em aberto. Na Acijs, levou uma prestação de contas parcial, que tinha R$ 450 mil de déficit, porque tinha a certeza absoluta que entraria dinheiro do Raimundo Colombo (R$ 120 mil). E disse que estranhou que Konell tenha criticado esta ação, pois ele já tinha elogiado sua apresentação. “Não teve superfaturamento em chope, em estrutura, bebidas e bandas. Agora, nos shows, quero ver a prestação de contas. Sei que tentaram arrumar nota para me incriminar, mas não conseguirão”.
Por fim, Raulino disse que o secretário Konell insinua com maldade que ele teria responsabilidade sobre os prejuízos, mas entende que só tem respponsabilidade pelo sucesso e não pelo rombo da festa. Para ele, este tipo de atitude só pode ser ciúme, pois foi afastado e após exonerado, porque havia indícios de irregularidade e não irregularidades. E, por fim, pediu para que a prefeita então demita amanhã o seu marido, o secretário Konell. “O que dizer do cidadão que tem multa do TCE de mais de R$ 30 mil e usar o Refis para pagar R$ 9 mil”, incitou os vereadores para que entrem com um processo de cassação do secretário. Também mostrou cópias de duas notas fiscais que ele garante serem frias e que comprovariam a prestação de contas frias de Cecília. “É um dever tomar providências contra ambos”, sustentou.

[b]RESPONSÁVEL PELAS BANDAS LOCAIS NEGA SUPERFATURAMENTO[/b]

O produtor musical contratado pela CCO para cuidar das bandas, Heitor Bento Alves, disse que fez um trabalho de produção. Depois de um acordo frustrado em 2008, em maio de 2009 foi procurado por um instituto chamado Anita Garibaldi para contratar as bandas. O nome do rapaz era Marcelo Brother, e disse que talvez precisasse alguém para coordenar as bandas típicas. Heitor acabou sendo coordenador de todas as bandas típicas, mas não teve participação alguma nas contratações de shows nacionais.
Ao relator da comissão, vereador Justino Pereira da Luz (PT), ele respondeu que quem o contratou foi inicialmente o instituto e depois a Fábrica de Shows, mas apenas um contrato verbal. Apenas, em alguns casos, pela sua experiência de Oktoberfest, em Blumenau, atuou como consultor.
Efetivamente, acredita que a Prefeitura não teve envolvimento direto na festa, mas sim na estruturação do Parque Municipal de Eventos. Disse que outro membro da CCO, Marcelo Prochnow, o ajudou durante a festa, para controlar horários e garantir a estrutura às bandas.
“Quando foi a contratação das bandas?”, questionou o vereador Jaime Negherbon (PMDB). Heitor disse que fez muitos contatos por telefone. Não sabe precisar exatamente, mas os contatos começaram a partir de agosto. Ele assegurou que não houve superfaturamento, ao contrário, estabeleceu um critério e conseguiu negociar e baixar os cachês de todas as bandas, incluindo a sua. E todas elas receberam antes do final da festa, uma de suas condições para trabalhar.
Ele acredita que quem pagou as bandas foi a Fábrica de Shows. Lembrou que teve uma banda que não recebeu uma parte, por falha dele, que foi a banda que tocou cinco dias antes, na festa de apresentação de abertura do parque, com lançamento oficial, a Adlers Band. O valor seria de R$ 2 mil e ele não sabe se já foi pago, mas encaminhou o pagamento.
Soube e ficou magoado com informações de que teria havia superfaturamento das bandas. “Dei tudo de mim em relação ao sucesso musical da festa”. Disse que foi elogiado. Tem diversos e-mails em que bandas elogiam a coordenação da festa. E tem comprovantes do que pagou e os contrato de todas as bandas. Não foi a fundo na denúncia de superfaturamento, porque passava por um momento pessoal difícil, mas disse que avisou a Fábrica de Shows para investigar isso a fundo.
Ele não lidou com notas, empenhos ou contratos, e só eventualmente era chamado para responder sobre a parte de música. O presidente da CEI, Jean Leutprecht, confirmou que os valores que Heitor apresentou batem com o apresentado na Acijs. Heitor ainda disse que não tem contrato escrito com a Fábrica. Iria receber um valor fixo de R$ 10 mil da Fábrica e não o recebeu. E nos contatos com Genilson e Zezo argumentavam que ainda esperavam receber recursos, mas não está mais contando com isso. Por fim, pediu aos vereadores que levem a CEI a sério, que não a discutam pelo lado político, mas sim técnico.
A coordenadora da comissão de Alimentação da CCO, Alice Maçaneiro, disse que só conheceu a Fábrica de Show um mês antes da festa e que cada comissão era responsável pelo seu setor. A maioria das pessoas que alugou espaços na festa pagou boletos para a Fábrica. Cada estande custou R$ 4 mil. Alice também não soube relatar em respeito às cortesias distribuídas. Ela não acredita que a festa tenha sido organizada pela Prefeitura, mas disse que percebia o tempo inteiro a associação e a empresa, com o Ronaldo, e negou que a prefeita Cecília Konell e seu marido Ivo tenham participado de alguma reunião.
Não participou de captação de recursos nem sabe o déficit exato. Ela garantiu que só respondia pela via gastronômica e não pela bebida ou o restaurante que ficava dentro do pavilhão A. Sabe que foram pagos 17 espaços sob a sua responsabilidade e que a parte das batidas tinha um preço diferenciado.
Foi nomeada pelo ex-secretário Ronaldo. Garantiu que era só R$ 4 mil de aluguel por estande e ficou de fornecer uma relação das empresas e pessoas físicas que compraram os espaços. Lamentou a ocorrência da CEI, que fez com que a festa tivessse repercussão negativa no Estado.

[b]RESPONSÁVEL PELAS BEBIDAS TAMBÉM NÃO RECEBEU [/b]

O coordenador do setor de distribuição de bebidas, Luiz Cesar da Silva, entregou ao presidente da CEI uma cópia do contrato de prestação de serviços na venda de bebidas da festa. César disse que trabalhou como contratado na gestão operacional de bebidas, abastecendo os camarotes e bares da festa. Disse que todas as noites entregava o relatório para o Zezo. Alguns eram cobrados pela Blucredi e outros pelo seu pessoal. Ele foi contratado pela Fábrica de Shows. “Até achei que vocês estavam me chamando para me pagar”, brincou César.
Ele trabalhou com uma equipe composta por 72 pessoas, se revezando em turnos em 11 bares. Foi contratado para colocar estas pessoas para trabalharem. Pegou pessoas dispostas a trabalharem como free-lancer. Quem mandava na festa, segundo ele era Raulino, Zezo controlava tudo e a gestão financeira era com a Blucredi. Ele só recebia dinheiro dos barris de camarotes e entregava para o Zezo.
Disse que tem um restaurante e foi convidado ao garantir aos clientes Genilson e Zezo, mas não sabe nada sobre o contrato das Bebidas Príncipe. Disse que até hoje não viu os números da festa. Foi contratado porque havia dificuldades em gerar lucro no bar da festa e ele foi desafiado a fazer este trabalho. Acredita que foi vendido R$ 700 mil, prestou serviço e aguardou o resultado. Mas ouviu dizer que teria sido arrecadado R$ 250 mil sobre os bares. Disse que teria comissão de 10% sobre este lucro, mas nunca viu a cor do dinheiro. As outras 72 pessoas de sua equipe receberam porque ele condicionou que o pagamento do pessoal fosse feito no dia seguinte ao de cada trabalho, e estas pessoas receberam. No total, seriam R$ 47 mil, mas ele não tem os recibos, porque os entregou ao Zezo.
“Uma pessoa só não controla uma festa deste tamanho, se não tiver bons parceiros”, observou Cesar, destacando que realizá-la para gerar lucro é muito difícil. Também destacou a alegria provocada pela festa, que com certeza errou no fator dinheiro, mas foi muito boa. Confiou na contagem do tíquete. E reafirmou que desde a chave do depósito, onde existiam as bebidas, tudo era controlado pelo Ronaldo. “Ninguém pegava nada no depósito sem o controle da secretária do Ronaldo, Luciane”.
“Não posso responder a quem cabe a responsabilidade sobre a festa”, disse. Confirmou que não se sente traído, mas sim enaltecido por ter sido convidado a participar. Foi festa boa e se sente gratificado em participar da execução. Também desconhecia sobre o conselho fiscal da CCO e lamenta não ter levado seus 10% contratados.

Jornalista responsável: Rosana Ritta