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VEREADORES APROVAM RECURSOS PARA HOSPITAIS, MAS VOLTAM A LAMENTAR DESCASO COM AJADEFI

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A Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul aprovou em votação única na sessão da última quinta-feira (15 de julho) dois projetos de lei ordinária de autoria da Prefeitura e que prevêem o repasse, por meio do Fundo Municipal de Saúde, de R$ 720 mil para cada um dos dois hospitais locais – o projeto nº 203/2010 autorizou o repasse para Hospital e Maternidade São José e o projeto nº 204/2010, para o Hospital e Maternidade Jaraguá. Na semana anterior, já havia sido aprovado outro repasse de R$ 1 milhão para continuidade das obras de ampliação do São José.
Apesar de os vereadores aprovarem os projetos, novamente a maioria se manifestou a respeito do tratamento dispensado pelo Hospital São José aos associados da Associação Jaraguaense dos Deficientes Físicos, a Ajadefi, que rompeu unilateralmente um contrato que vigorava até 2012 e ainda, segundo lamentou o vereador Francisco Alves (PT) em diversas ocasiões, promovendo a exclusão quando todos falam em inclusão. Excluída do processo, a Ajadefi, segundo seu presidente Valdecir Titon, hoje sofre com a falta de recursos para poder pagar todas as rescisões trabalhistas, sem falar nos 16 atendentes que estão desempregados.
“Com certeza, a gente vai aprovar este projeto”, antecipou na tribuna o vereador Jaime Negherbon (PMDB), não sem antes lamentar mais uma vez o caso e contradizendo as vozes que disseram que como o hospital é privado a Câmara não poderia estar interferindo na negociação. “Sou sempre favorável a todo dinheiro para ser investido na saúde. E entendo que se o hospital é privado, mas recebe dinheiro público, então precisa dar explicações para a comunidade. Quando houve a retirada da Ajadefi a gente questionou, os vereadores não foram recebidos pela direção do hospital”, frisou.
Justino ilustrou a necessidade de diálogo permanente entre o Legislativo e as entidades que recebem recursos públicos destacando o empenho de equipe de profissionais do Hospital e Maternidade Jaraguá, que no dia da votação do projeto procurou os vereadores para pedir apoio ao mesmo e falar de suas necessidades. “Tivemos uma abertura de diálogo com o Hospital Jaraguá e espero que o São José também abra as portas para os vereadores dialogarem”, reforçou.
A Câmara tentou inúmeras vezes um canal de diálogo com o Hospital São José a respeito da decisão de romper o contrato com a Ajadefi. O diretor geral Maurício Souto Maior foi convidado a comparecer em uma reunião da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Saúde e Assistência Social, onde os vereadores pretendiam ouvir também o presidente da Ajadefi, Valdecir Titon. Porém, no dia da reunião quem compareceu foi o presidente do Conselho Deliberativo, o advogado Paulo Mattos, segundo a Ajadefi o mentor da quebra de contrato. Mattos negou-se a conversar com os vereadores na presença de Titon.
Ele também não permitiu que o conteúdo da reunião fosse divulgado e pediu aos vereadores sigilo sobre suas declarações. O principal argumento dele foi de que o hospital precisa modernizar a estrutura, oferecer seguro aos carros do estacionamento e que a Ajadefi, por agregar pessoas com deficiências, não estava nos planos deste projeto de modernização pelo qual o hospital está passando.
O próprio presidente da Comissão de Saúde da Câmara, o vereador José Ozorio de Avila (DEM), disse na tribuna em uma das muitas discussões em torno da polêmica criada entre e o São José e a Ajadefi, que “ficou muito triste com as palavras que ouviu de Mattos naquela reunião”. Por ocasião da votação do projeto, José Ozorio se manifestou dizendo que espera que o Hospital Jaraguá não tome a mesma atitude com os deficientes físicos, “que não tome como exemplo o que o São José fez com a Ajadefi”.
A presidente da Câmara, vereadora Natália Lúcia Petry (PSB), considera que a discussão em torno da Ajadefi está prolongada. “Poderíamos fazer com que a discussão feita com o advogado Paulo Mattos, onde foi sugerido que a prefeita visse forma de repassar convênio para que a Ajadefi seja auto-sustentável ou fazer convênio com outras entidades, tenha andamento”.
Titon disse que a prefeita realmente se dispôs a ajudar a associação, mas mais do que receber recursos, o que os associados querem é resgatar sua dignidade por meio do trabalho. “Pessoas que vivem com problemas físicos e as complicações decorrentes, que viviam em casa, escondidas e deprimidas, encontraram a alegria ao se sentirem úteis à sociedade. Se depois de tantos anos o hospital descobriu que eles não tinham condições de tratar com o público, poderíamos providenciar treinamento e cursos específicos”, destacou Titon, mas o hospital foi irredutível e chegou a distribuir panfletos orientando a população a não pagar a Ajadefi, passando a imagem de que o estacionamento no local será gratuito.

[b]PRESIDENTE PEDE QUE NÃO HAJA GUARITA ANTES DO PS[/b]

A presidente Natália pediu que a questão dos acessos aos hospitais seja revista. Ela defende que os acessos sejam liberados. “Que se faça um estudo para que não haja guarita pelo menos antes do pronto-socorro. É preciso facilitar a vida da população para ter acesso livre ao hospital”, reforçou a vereadora, que em outra ocasião já havia lembrado que a chegada do hospital, tendo que passar pelo centro e enfrentando muitos semáforos já é complicada.
Jaime também disse que já cansou de ir à tribuna dizer que não concorda que seja cobrado acesso. Ele defende que a Ajadefi administre o estacionamento rotativo do centro da cidade, que será instalado em breve.
Embora não tenha se manifestado no último debate em torno do assunto, o vice-presidente Lorival Demathê (PMDB) foi um dos primeiros a falar sobre o problema da Ajadefi ainda no início de março. Ele também acompanhou pessoalmente os dias de impasse que os deficientes sofreram ao serem praticamente expulsos do hospital.

Jornalista responsável: Rosana Ritta – Registro profissional: SC 491/JP