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COMANDANTE DA PM SE EXALTA COM VEREADORES

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O comandante da PM, tenente-coronel Rogério Luiz Kumlehn, demonstrou profunda irritação com os vereadores na sessão de terça-feira (12 de maio), na Câmara de Jaraguá do Sul. A presença de um representante da PM havia sido solicitada pelos vereadores depois que veio à tona série de denúncias de agressões de policiais militares a pessoas abordadas em ações de rotina. Os vereadores discutiram o assunto na sessão do dia 14 de abril e decidiram que seria importante abrir espaço para que a PM pudesse se manifestar sobre a conduta de policiais acusados de envolvimento em recentes cenas de violência e quais os procedimentos adotados nestes casos.
Kumlehn ficou desconfortável ao observar no plenário a presença dos familiares, da advogada e do jovem Eliel Santa Clara Zaioncz, 20 anos, hospitalizado sem sentidos depois de supostamente ter sido espancado por policiais militares junto com um colega menor de idade na madrugada do dia 11 de abril, em abordagem em frente a um motel na BR-280, depois de perseguição que envolveu quatro viaturas e mais de dez policiais. Eles estavam acompanhados de duas jovens, e uma delas teria levado um tapa no rosto de uma policial. Também acompanhava a sessão o presidente do Centro dos Direitos Humanos (CDH) de Jaraguá do Sul, jornalista Sérgio Homrich dos Santos.
Depois de discorrer sobre uma série de ações positivas promovidas pela Polícia Militar catarinense, que completou recentemente 174 anos, “41 a mais que Jaraguá do Sul”, destacar o empenho no treinamento e em ações para a melhoria da atuação dos policiais, e dizer que há investigação sim de todas as denúncias de arbitrariedades, o comandante perdeu a compostura. Ele acusou os vereadores, que o convidaram justamente para obter informações sobre as investigações, de desinformados. E garantiu que todas as denúncias de violência e abusos de autoridade são investigadas e dadas punições de diferentes graus quando constatado que houve irregularidade.
“Não admito que digam que não são tomadas providências. Isso é mentira. É agir de má fé. Nós temos responsabilidade. E apuramos sempre. Tanto que dos fatos citados, um está em inquérito policial e outro em sindicância. Se os senhores não sabem, deveriam saber, porque quer queiram ou não são representantes do povo. Não temos irresponsabilidade.”
Dirigindo-se à vereadora Natália Lúcia Petry (PSB), disse que se ela tem algo a denunciar, que o faça. “Se alguém tem alguma denúncia, e não foi ao quartel formalizar é porque a senhora sabe de um fato e não denunciou. A senhora errou, deixou de fazer a sua parte e fazer com que meus PMs fossem devidamente punidos”, disse. Natália respondeu que o objetivo do encontro era justamente este, esclarecer a forma de abordagem e como a corregedoria trabalha, e não criar algum tipo de embate. Ela argumentou que tentou entregar a filmagem onde uma funcionária do museu filmou policiais agredindo um bêbado ao corregedor da PM, major Waldo, mas houve um desencontro. E reiterou que além do material, tem testemunhas desta ação para apresentar.
“Ele tem que ter respeito com os vereadores. Com este comportamento, deixa claro porque ocorrem as arbitrariedades. Afinal, a tropa é o espelho do comando”, entende o presidente do CDH, para quem o comandante da PM perdeu a oportunidade de pedir desculpas publicamente à família do rapaz agredido no bairro Nereu Ramos.
Quando questionado sobre o desfecho da agressão aos jovens, o comandante Kumlehn se limitou a dizer que o inquérito está na parte de das oitivas. “Se não me engano deveria ter um depoimento e foi pedido cancelamento”. O depoimento era do menor que teria sido agredido ao lado de Eliel. Disse que este caso foi comunicado por um PM, um oficial que presenciou as agressões aos rapazes. “O oficial disse que houve um fato teoricamente ilegal e fez o comunicado”, respondeu. Por fim, destacou que todo o cidadão que se sentir prejudicado ou desrespeitado em seus direitos tem obrigação de denunciar. E que a corregedoria da PM está sempre aberta para este atendimento.
Atualmente, há em curso 15 inquéritos policiais militares, os IPMs, 30 sindicâncias e 180 procedimentos administrativos em curso no batalhão de Jaraguá do Sul. O jovem espancado e sua advogada preferiram não se manifestar. “Deixem que a Justiça decida”.
O vereador Justino da Luz, que conduzia a sessão na condição de presidente interino, lamentou o desfecho da visita do comandante, da deselegância no tratamento com os vereadores, em especial à vereadora, e disse que, de sua parte, não tem mais interesse de convidá-lo para se manifestar nas sessões. “Como ele quer que uma vítima denuncie, se se exalta com a pergunta de um vereador?”, questionou.

[b]O DEBATE SOBRE AS SUPOSTAS ARBITRARIEDADES
DA PM QUE IRRITOU O COMANDANTE[/b]

JUSTINO MANIFESTA TRISTEZA
Na palavra livre da sessão do dia 14 de abril, o vereador Justino Pereira da Luz (PT) manifestou sua tristeza com a agressão de que foram vítimas dois jovens do bairro Estrada Nova, um deles seu ex-aluno. Os rapazes, que estavam em uma malhação de Judas no bairro Nereu Ramos com um Gol, teriam desrespeitado orientação da PM de parar em uma abordagem, foram perseguidos e espancados.
Na perseguição, segundo o corregedor da PM, major Waldo Júnior, uma das viaturas teria quebrado, pois os jovens teriam chegado a 140 km/h numa estrada de chão, por isso foi pedido reforço. “Este fato mexeu com o brio de muitas pessoas. O que os meninos fizeram da escola Vítor Meirelles até a BR-280 foi desrespeitar uma orientação, porém o que aconteceu após foi desrespeitar os direitos humanos das pessoas. Bater até o garoto chegar ao hospital sem memória. O CDH está montando uma denúncia contra o abuso. O comandante disse que vai analisar os fatos. Queremos que se divulgue o que aconteceu com os policiais, quais os fatos comprovados”, disse Justino.

JEAN PEDE ACOMPANHAMENTO DO CASO
O presidente da Casa, Jean Leutprecht (PC do B), considerou o fato lastimável. “Não estamos colocando em cheque a qualidade dos policiais, mas infelizmente temos policiais que não estão em condições. É interessante que após esta averiguação que será feita internamente pela corregedoria da polícia se torne público o resultado. Quando os políticos fazem uma besteira vão para a boca do povo. Agora está na hora de dizer qual foi o policial, o que fez e qual a penalidade”. Sem entrar no mérito se os rapazes estavam errados ou não, o presidente considerou que o que aconteceu com os rapazes poderia ter resultado em morte. No final da sessão, ele sugeriu uma reciclagem maior e um conhecimento mais profundo, por parte dos policiais, dos costumes do município, apoiando o envio de ofício, em nome da Casa, pedindo explicações. No dia seguinte, Jean esteve no batalhão, conversando com o corregedor, major Waldo, que manifestou a intenção de investigar todas as denúncias.

ZÉ DA FARMÁCIA LEMBRA CASO DO BAR DO ROCHA
Na mesma sessão, o vereador José Osório de Ávila (DEM), o Zé da Farmácia, sugeriu o envio de um ofício convidando a PM para se explicar. Destacou que o objetivo não era denegrir a PM, mas questionar a maneira como as abordagens são feitas. “Acho que não é a maneira correta de um policial, quando aborda um ser humano, fazer o que fizeram com estes dois jovens”.
E relembrou outro caso ocorrido no Bar do Rocha, quando os policiais deram apenas três minutos para o dono do estabelecimento, Márcio Luiz Rocha, 34 anos, cobrar todos os clientes e fechar as portas. O caso aconteceu por volta das 23 horas de 3 de abril. O bar tinha alvará de funcionamento até às 22 horas.
Diante do argumento do proprietário, de que não teria tempo para as cobranças, os cerca de 30 clientes denunciaram que foram encostados na parede, revistados, e um senhor de 69 anos, policial da reserva de SP, que tentou se identificar, não teve oportunidade. O policial o empurrou na parede, foi algemado e preso com o comerciante, que acabou registrando BO, por considerar que foi vítima de abuso de autoridade.
“Será que não tem outra maneira de abordagem?”, questionou o vereador, lembrando que ainda ouviu versões de que os rapazes agredidos na véspera de Páscoa foram levados para o pátio da DP, tiveram que se lavar para retirar o sangue das roupas antes de serem entregues aos policiais civis.

NATÁLIA CITA FILMAGEM DE AGRESSÃO
A vereadora Natália disse que não queria ensinar como a polícia deve agir em cada situação, mas sim instigar discussão o debate. “Tenho registrado no museu uma situação de sete policiais batendo num jovem bêbado. Tenho fotos, registros, filmagem feita por uma funcionária do museu”. E citou outra situação em que um policial foi grosseiro com um motorista idoso que não tinha percebido uma barreira policial. Por causa desta desatenção, segundo denunciado à vereadora, o policial fez o idoso esperar quase meia hora, segurando fila, até ser liberado. “Ficamos constrangidos da forma como a polícia tem abordado nossos cidadãos. Temos que relutar contra esta prática desumana. Que a policia reúna seu efetivo e faça uma formação que os prepare para atuarem”, pediu.