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O FUTURO, HOJE E SEMPRE NAS MÃOS DO PROFESSOR

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“Só através da educação conseguiremos transformar o mundo. Eu gostaria que todas as esferas de governo tivessem consciência disso. Pois a partir daí teremos uma população mais instruída e culta”. Com estas palavras, o presidente da Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul, Jean Carlo Leutprecht (PC do B), deu início à sessão solene realizada na última quinta-feira, em homenagem ao Dia do Professor.
Ele lembrou ainda que a Câmara tem na atual legislatura seis professores entre os 11 vereadores, além de ter em seu quadro diversos funcionários que também têm esta formação. E foi neste clima de intimismo e integração que vereadores, professores e convidados viveram um momento inesquecível e recheado de emoções.
O Dia do Professor ocorre no Brasil em 15 de outubro porque foi neste dia, no distante 1827, que dom Pedro 1º propôs a criação das escolas primárias no País, que foram oficializadas em 1933. A data tornou-se comemorativa a partir de 1963.
A iniciativa de falar sobre os prazeres e dissabores da profissão de professor foi uma solicitação da vereadora e professora Natália Lúcia Petry (PSB). Para que a homenagem fosse justa, a vereadora solicitou aos colegas que procurassem homenagear pessoas que nunca tinham recebido este tipo de distinção na Câmara, e que tivessem um significativo e comprovado trabalho em prol da comunidade.
Natália acertou em cheio. Pois a seleção, segundos os profissionais e os próprios vereadores, apontou professores que deixaram e deixarão suas marcas em várias gerações. Pessoas que enfrentaram muitas dificuldades em décadas distantes para cumprir sua missão e ajudaram a formar os atuais legisladores. A experiência de serem chamados para este momento na Câmara proporcionou uma verdadeira viagem ao tempo para os homenageados. Ao mesmo tempo, eles puderam fazer uma reflexão de o que é e o que significa ser professor.
A vereadora fez questão de em sua mensagem lembrar que esta profissão é decisiva para o desenvolvimento de todas as outras. Lembrou que mesmo com novas máquinas e inteligências artificiais, só o professor tem a capacidade de transmitir valores. “Nunca foi fácil ser professor ou professora… Escolher o magistério como profissão é questão de amor, tolerância e solidariedade”, destacou Natália, para quem os educadores oferecem as chaves que abrem as portas dos caminhos da vida.
Ela só lamentou a disparidade salarial entre as demais categorias profissionais formadas pelas mãos destes profissionais e a dos docentes, “que precisam dar 15 aulas por dia para conseguir um sustento mínimo, devido ao descaso e abandono social”.
“Que se reconheça e se valorize esta profissão, pois resolvido o problema da educação, estarão resolvidos todos os demais problemas deste País”, destacou a vereadora, para concluir com uma frase do educador Paulo Freire, convidando-os para que não descuidem da missão de educar. Natália escolheu uma ex-professora e ex-colega de profissão como sua homenageada, Taci Inácio Pellis.
Foi como uma forma de reconhecer o trabalho de Marlene Rosa dos Santos, uma das primeiras professoras negras da região, que o vereador Jaime Negherbon (PMDB) escolheu a sua ex-professora da época dos primeiros anos de escola, quando ainda morava na localidade de Santo Antônio do Itaperiú, então pertencente a Barra Velha, para sua homenagem.

[b]DE A PÉ, DE BICICLETA, SEMPRE ATRÁS DE CUMPRIR SUA MISSÃO[/b]

A professora Marlene recordou parte de sua longa trajetória no magistério, iniciada na escola Max Schubert . “Saía de casa com minha Monark para fazer um longo percurso, mas fazia questão de não faltar e não chegar atrasada, pois foi um início difícil porque não existia uma pessoa negra na comunidade de Três Rios do Norte. Mas com o passar do tempo ganhei o respeito dos alunos e da comunidade”, contou.
Transferida para a comunidade distante de Barra Velha, sob o argumento de um chefe de que poderia passar os finais de semana na praia, Marlene aceitou. Lá descobriu que o mar não era tão perto assim e que ônibus para o trabalho só tinha uma vez por dia. E em uma época que professor dava aula, fazia merenda, limpava a escola e até a função de pároco assumia na comunidade, ela se firmou na profissão. E conheceu o então menino Jaime, que só foi reencontrar quando ele comemorava sua primeira eleição como vereador.
Hoje aposentada, Marlene preside o Movimento de Consciência Negra do Vale do Itapocu (Moconevi), faz parte do Clube de Professoras Aposentadas e desenvolve uma série de trabalhos voluntários. E como mensagem lembrou aos colegas que na maravilhosa sinfonia da vida todos os instrumentos são importantes. “Nem todos são o piano ou o primeiro violino, mas todos têm a sua importância singular”.
Outra professora que pode expressar o seu orgulho de encontrar o ex-aluno Francisco Alves na condição de vereador é Dirce Maria Tafner Leoni. Apesar de estar passando por um delicado momento de tratamento de saúde, Dirce quando soube que seria homenageada pediu espaço para deixar uma mensagem e revelar sua alegria por ter sido lembrada.
Emocionada, atribuiu a outra homenageada, Elfrida Gehring Rosá, a professora Elfi, escolhida pelo vice-presidente da Casa, Isair Moser, como “a grande mestra” de Jaraguá do Sul.
E chamou professores e vereadores para a responsabilidade social que lhes cabe ao parafraseaR o ator Antônio Boldrin, que disse a um grupo de bacharéis de direito: “tenho vergonha de mim e pena do povo brasileiro, de tanto ver prosperar a desonra e crescer a injustiça”. “Temos aqui dois grupos que muita responsabilidade tem na construção da sociedade jaraguaense, que são os legisladores e os educadores”.
“Caros vereadores, como representantes do povo vocês têm muita responsabilidade. O povo não pode se acomodar. Sei que não podemos voltar atrás e fazer um novo começo, mas qualquer um de nós pode começar agora e fazer um novo fim. Este é um grande desafio. Recomeçando pela educação. É preciso construir projetos e olhar para onde olha o jovem e o adolescente. Fazer projetos é fazer justiça social”. Ensinou a mestra para quem a melhor coisa do mundo é a boa escola. E a segunda melhor uma escola.
“Devemos levar para a sala de aula o que de melhor temos. Eu levava o violão”, enfatizou o secretário de Educação, Silvio Celeste Bard. “Tem gente que sabe fazer poesia, tem gente que sabe declamar, tem gente que sabe cozinhar, jogar bola, amar, educar… Este é o professor”, sintetizou ele no encerramento do encontro em que a Câmara procurou homenagear os quase 3 mil abnegados educadores de Jaraguá do Sul.
A cerimônia teve ainda as participações especiais da cantora e acadêmica de design da Unerj, Daniele Rocha, que fez uma bela interpretação do Hino Nacional, e da aluna da Escola Francisco Solamon, Jaqueline Ramos, que declamou uma poesia aos professores. Outro momento especial foi a passagem de um vídeo produzido pela TV Câmara, em que professores de quatro estabelecimentos de ensino de diferentes níveis – Creche Constância Piazera, Colégio Abdon Batista, Colégio Evangélico Jaraguá e Escola Alberto Bauer – falam sobre a profissão.

[b]OS VEREADORES E SEUS HOMENAGEADOS: [/b]
[b]Jean Carlo Leutprecht – Venício Pacher
Isair Moser – Elfrida Gehring Rosá
Justino da Luz – Luís César Schorner
Jaime Negherbon – Marlene Rosa dos Santos
Ademar Winter – Altino Mário Bortolini
José Osorio de Avila – Irma Dalmonico
Ademar Possamai – Leonel Pradi Floriani
Lorival Demathê – Lucia Inocente Jeremias
Amarildo Sarti – Guiomar Schunke Klein
Natália Lúcia Petry – Taci Inácio Pellis
Francisco Alves – Dirce Maria Tafner Leoni[/b]

Jornalista responsável: Rosana Ritta – Registro profissional: SC 491/JP