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Câmara abre discussão sobre a falta de médicos na rede pública

vereadora Natália Lúcia Petry (PMDB)

vereadora Natália Lúcia Petry (PMDB)

?As audiências públicas são uma prerrogativa da qual a Câmara de Vereadores tem feito valer para discutir assuntos de interesse público relevante. Na noite de ontem, 14, a comunidade novamente teve espaço para fazer suas manifestações, críticas e indagações, desta vez sobre a falta de médicos no atendimento da saúde pública.

Moradores bem como as autoridades presentes fizeram suas sugestões, todas convergindo no sentido de que os postos de saúde do município funcionem em plenas condições, com atendimento digno ao cidadão. O evento contou com a presença, entre outras autoridades, do secretário estadual da Saúde, Dalmo de Oliveira, e do deputado estadual Carlos Chiodini.

Proponente da audiência, a vereadora Natália Lúcia Petry citou o salário como um dos empecilhos para a vinda de novos profissionais e que, além da adequação dos mesmos, deve-se exigir o cumprimento da carga horária dos médicos. A vereadora também colocou que a demanda reprimida dos postos acaba sendo absorvida pelo pronto-socorro, representando 70% dos atendimentos, na contramão de sua finalidade de urgência e emergência.

Representando a chefe do Executivo, o vice-prefeito Irineu Pasold comparou os dados do município aos da OMS (Organização Mundial da Saúde), que preconiza de duas a três consultas por habitante ao ano.  Para ele, é importante não só adequar os salários dos médicos, mas criar critérios de avaliação por meio de programas que tornariam o serviço público competitivo.

A diretora de Administração de Finanças da Secretaria de Saúde, Nancy Zimmermann, apresentou os dados relativos à estrutura física e de pessoal e atendimentos. Segundo ela, o número de profissionais passou de 70 para 93, desde o início do atual governo. Em número de consultas, disse que o incremento chega a 60%.

A falta de médicos em postos, posto construído porém não inaugurado, esclarecimento sobre a aplicação de recursos públicos, medidas para garantir o cumprimento da carga horária pelos profissionais e agendamento das consultas foram alguns dos questionamentos feitos pela presidente da Ujam, Andréa Ziehlsdorff. Segundo elas, as indagações representam pedido das  associações de moradores.

O suplente de vereador Vilmar Delagnolo mencionou o caso do posto no bairro Santa Luzia, com infiltração de água. Para ele, é preciso valorizar o ser humano, o cidadão. “As paredes estão verdes, estão mofadas. Isto não é um investimento grande, é respeito”, comentou, sugerindo que a Vigilância Sanitária faça uma visita ao posto de saúde, e não concentre a atuação somente no comércio.

Os problemas de gestão foram a grande tônica da audiência, mencionada por vários manifestantes. A necessidade de ampliar o programa ESF (Estratégia Saúde da Família) foi outra sugestão apontada. Também muito se falou sobre a necessidade de haver pronto-atendimentos com plantão, que por sua vez desafogariam os atendimentos no pronto-socorro.

As ações preventivas foram destacadas, bem como o agendamento das consultas por telefone, e não mais presencialmente. “O Brasil sempre tratou a doença, e se esqueceu de prevenir. Devem se criar programas de acompanhamento de hipertenso, programas que ensinem a população a ter bons hábitos alimentares, prevenindo as doenças que mais matam, que são as cardiovasculares”, exemplificou o médico Sebastião Rezende.

Autoridade maior da Saúde no Estado, o secretário Dalmo de Oliveira citou os investimentos do Estado previstos para a área. Para ele, o governo federal deveria aplicar mais recursos na atenção básica, com recursos decrescentes. Citou exemplo da equipe Saúde da Família, com custo aproximado entre 30 e 40 mil reais, enquanto o Ministério da Saúde repassa em torno de R$ 7,5 mil por equipe, além de R$ 18 por habitante ao ano.

A criação de uma faculdade de medicina na região e a necessidade de formação/capacitação continuada dos profissionais da rede pública também foram apontadas na audiência pública. Todas as sugestões colhidas serão compiladas em uma moção a ser encaminhada para todas as autoridades competentes.