Header Câmara Municipal de Jaraguá do Sul
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Vereadores reforçam apelo por parcelamento do ITBI em Jaraguá do Sul

COMPARTILHE

Na sessão desta quinta-feira (25), a Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul aprovou uma moção de autoria dos vereadores Almeida (MDB) e Jair Pedri (PSD), solicitando ao Poder Executivo a criação do Programa Municipal de Parcelamento do ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis). A proposta pretende permitir o pagamento do tributo em até 12 parcelas mensais e sucessivas, com valor mínimo de duas Unidades Padrão do Município (UPM). Atualmente, o imposto só pode ser quitado em parcela única, o que, segundo os vereadores, tem dificultado a regularização de imóveis e inviabilizado muitas escrituras. O assunto gerou uma ampla discussão entre os vereadores.

Parcelamento aliviaria famílias

O vereador Almeida recordou que o tema já foi discutido em legislaturas anteriores e defendeu que a medida não traria prejuízos significativos ao caixa municipal. Ele destacou que muitas famílias, ao adquirirem um imóvel, comprometem boa parte da renda com a entrada e o financiamento e, diante disso, não conseguem arcar com o ITBI à vista.

Ele destacou que às vezes a pessoa junta todas as moedas para dar a entrada e faz um financiamento que aperta ainda mais o orçamento. “Depois vêm outras despesas inerentes à aquisição do imóvel. O parcelamento do ITBI poderia auxiliar essas famílias sem causar desequilíbrio financeiro ao município. Inclusive, anexamos à moção uma minuta que o Executivo pode aprimorar e encaminhar a esta Casa como projeto de lei”, explicou Almeida.

Ele revelou que chegou a protocolar um projeto de lei sobre o parcelamento, mas optou por arquivar diante de fragilidades jurídicas quanto à iniciativa partir do Legislativo. “Por isso, encaminhamos via moção de apelo, juntamente com o vereador Jair Pedri, literalmente suplicando ao Executivo que analise e implemente essa medida. Isso ajudará muitas famílias que hoje não conseguem transferir seus imóveis e acabam entrando numa bola de neve.”

Escrituras paradas

O vereador Jair Pedri reforçou os argumentos. Corretor de imóveis, ele relatou que muitas escrituras custam de R$ 10 mil a R$ 20 mil, e o ITBI pode alcançar valores semelhantes, dependendo do preço do imóvel.

“Muitas vezes a escritura não acontece porque é impossível a família levantar R$ 20, 30 ou até 40 mil de uma vez para transferir o imóvel”, explicou. Ele afirma que a intenção é que o Município permita o parcelamento. “Não estamos falando de desconto, mas apenas de dar a oportunidade de pagar em parcelas. Se não houver essa possibilidade, o imóvel fica anos apenas no contrato de gaveta, sem escritura. E quando um dos proprietários falece, o problema se agrava em inventário, com custos ainda maiores e brigas familiares”, enfatizou.

Pedri também argumentou que a medida não apenas ajudaria as famílias, mas teria impacto positivo na economia da cidade. Para ele, isso vai aquecer o mercado imobiliário, facilitar vendas, gerar mais negócios e movimentar setores como a construção civil e o comércio. Além disso, é melhor para o próprio município, que arrecadaria de imediato em vez de esperar 10 ou 20 anos para receber o tributo.

Tema discutido há anos

A vereadora Professora Natália Lucia Petry (MDB) parabenizou os autores da moção e lembrou que a Câmara já havia debatido o tema em legislaturas passadas. Ela lembra que entre 2012 e 2016 também houve um pedido semelhante. “O que sempre me pergunto é qual a dificuldade em conceder esse parcelamento, já que não se trata de renúncia de receita. Pelo contrário, pode aumentar a arrecadação, porque hoje muitos deixam de registrar seus imóveis. São mais de 12 anos de discussão, e espero que desta vez o Executivo realmente encaminhe um projeto.”

Ela ainda reforçou o impacto social, já que o ITBI representa 2% sobre o valor venal do imóvel. E alertou que, somado ao custo da escritura, que já é alto, torna-se praticamente impossível para muitas famílias regularizar a situação.

Inventário caro sem escritura

O vereador Osmair Gadotti (MDB) apontou os problemas enfrentados por famílias que não conseguem regularizar os imóveis a tempo. “Quando alguém falece e não há escritura, o inventário fica muito mais caro e cheio de complicações. Isso gera multas pesadas por atraso e aumenta a dor de cabeça para os herdeiros. Além disso, com o contrato parado na gaveta, o município não arrecada nada. Com o parcelamento, o caixa da prefeitura poderia até aumentar “, relatou.

Exemplo de Brusque

O vereador Charles Salvador (PSDB) destacou que o parcelamento do ITBI já existe em outras cidades, como Brusque. “Levei esse exemplo ao secretário da Fazenda em reunião. O parcelamento ajudaria a regulamentar propriedades e traria aumento de arrecadação. O estudo já vem sendo mencionado desde 2021, mas até hoje não houve avanço. Agora, com a minuta apresentada pelos vereadores, o Executivo tem um ponto de partida.”

Famílias querem pagar

O vereador Jonathan Reinke (União) também apoiou a proposta. Ele afirma que as pessoas querem pagar seus impostos e regularizar seus imóveis, mas a forma como o ITBI é cobrado hoje inviabiliza. “Visitando famílias humildes na Barra do Rio Cerro, vi de perto a dificuldade de quem tem o IPTU em dia, mas não consegue fazer a escritura por conta do valor do imposto. Não pedimos anistia, apenas uma forma mais acessível de pagamento”, defendeu.

O parlamentar também lembrou que o programa de refinanciamento de dívidas (Refis) também já foi bastante solicitado pelos vereadores em legislaturas passadas e que é preciso levantar a questão novamente para ajudar a população a pagar suas dívidas. O vereador Almeida advertiu que é preciso tomar cuidado para que o Executivo não acabe privilegiando pessoas má intencionadas que não pagam seus impostos de propósito esperando por uma redução de valor e parcelamento.

Refis com regras rígidas

Continuando a discussão sobre o Refis, o vereador Delegado Mioto (União) defendeu uma ideia para um possível Refis. Ele propôs que cada contribuinte possa aderir ao programa apenas uma vez dentro de um período de dez anos.

O parlamentar também sugeriu que, caso o beneficiado não cumpra o acordo firmado, fique impedido de participar de futuros parcelamentos. Para Mioto, é importante diferenciar quem realmente precisa do Refis de quem age de má-fé, lembrando que os contribuintes que necessitam do programa tendem a honrar os pagamentos.

A moção foi aprovada por nove votos favoráveis. Agora, o Executivo deve avaliar a proposta e decidir se enviará um projeto de lei ao Legislativo para regulamentar o parcelamento do ITBI. Para os vereadores, a medida representa não apenas um alívio para as famílias que sonham com a escritura definitiva, mas também uma oportunidade de fortalecer a economia local e ampliar a arrecadação municipal.

Acessar o conteúdo