Na sessão desta quarta-feira (8), a Câmara Municipal de Jaraguá do Sul aprovou uma moção que apela ao Poder Executivo pela retomada do projeto “Bota Fora”, com prioridade para regiões alagáveis e áreas com maior incidência de descarte irregular de resíduos.
A proposta é de autoria dos vereadores Jonathan Reinke (União), Cani (PL), Charles Salvador (PSDB), Almeida (MDB), Osmair Luiz Gadotti (MDB), Professor Fernando Alflen (PL) e Sirley Maria Schappo (Novo).
No documento, os parlamentares destacam a preocupação crescente da comunidade com o descarte inadequado de móveis, entulhos, materiais inservíveis e resíduos volumosos em vias públicas, terrenos baldios e áreas vulneráveis do município. Segundo a moção, o problema se agrava em períodos de chuvas intensas, já que o acúmulo irregular desses materiais pode obstruir bocas de lobo, canais de drenagem e sistemas de escoamento pluvial.
Os vereadores alertam que essa situação amplia os riscos de alagamentos, danos materiais, proliferação de doenças e impactos à saúde pública. Por isso, defendem que o “Bota Fora” seja retomado de forma contínua, com calendário periódico, ampla divulgação, campanhas de conscientização e estrutura adequada para coleta e destinação dos resíduos.
A moção lembra que o projeto já apresentou resultados expressivos em edições anteriores. Em 2018, foram recolhidas aproximadamente 670 toneladas de materiais e resíduos. Já em 2024, quando a iniciativa foi retomada de forma limitada a apenas oito bairros, foram recolhidas cerca de 400 toneladas de lixo e entulhos.
Para os autores, os números demonstram a adesão da população e a existência de uma demanda reprimida no município. Eles também argumentam que a ação tem impacto direto na redução do descarte irregular, na preservação ambiental, na limpeza urbana e na prevenção de problemas causados por chuvas fortes.
Durante a discussão em plenário, Jonathan Reinke reforçou que a retomada do programa deve ser tratada como uma medida preventiva, especialmente diante das previsões de chuvas e do risco de novos alagamentos. Segundo ele, vereadores já receberam diversas denúncias de moradores sobre móveis, sofás, armários e outros resíduos descartados em locais inadequados, com potencial para obstruir drenagens e tubulações.
Reinke também destacou que o “Bota Fora” não é importante apenas nas regiões alagáveis, mas em toda a cidade, já que nem todos os moradores têm veículo ou condições financeiras para fazer o transporte de materiais até os pontos de entrega voluntária. O parlamentar lembrou que Jaraguá do Sul conta com estrutura para recebimento de móveis, pneus, vidros, ferro e outros itens, mas defendeu que a ação seja acompanhada de campanhas de conscientização para incentivar o descarte correto.
O vereador Jair Pedri (PSD) também defendeu a retomada do projeto. Ele afirmou que o “Bota Fora” atende uma necessidade concreta de parte da população que não consegue pagar frete para levar materiais inservíveis até os pontos de entrega. Para Pedri, aquilo que pode parecer um valor pequeno para algumas pessoas representa, para outras famílias, parte significativa do orçamento mensal.
Ele lembrou que a retomada parcial realizada em 2024 funcionou como uma espécie de “amostra” da demanda existente no município, com o recolhimento de toneladas de materiais acumulados nos fundos das casas. Segundo o parlamentar, o programa tem forte apelo popular e deve voltar a ser discutido com prioridade pelo Executivo. Mais tarde, o vereador defendeu que a iniciativa seja permanente, com atendimento mensal em diferentes bairros da cidade.
Luís Fernando Almeida ressaltou que o tema já foi debatido diversas vezes na Câmara e afirmou que a discussão não deve se limitar aos riscos de enchentes e alagamentos. O vereador chamou atenção também para a chegada do verão e para o aumento do risco de dengue. Segundo ele, a retirada de materiais acumulados nos terrenos pode reduzir focos do mosquito transmissor da doença.
Almeida defendeu que o programa seja planejado com antecedência, evitando ações emergenciais mais caras e difíceis de executar. Na avaliação dele, realizar o “Bota Fora” algumas vezes ao ano, com datas e calendário definidos, pode gerar impacto positivo tanto na saúde pública quanto na economia do município, ao reduzir atendimentos médicos, tratamentos e custos decorrentes de surtos de dengue.
O parlamentar também ponderou que, embora muitas famílias realmente não tenham condições financeiras para dar a destinação adequada aos materiais, há casos de descarte irregular por falta de responsabilidade. Mesmo assim, afirmou que a população que precisa do serviço não deve ser prejudicada pela conduta de uma minoria. Como alternativa, sugeriu a possibilidade de um sistema de cadastramento, com participação dos CRAS, para atender de forma mais eficiente quem realmente necessita.
O vereador Delegado Mioto (União) também se manifestou favoravelmente à proposta e afirmou que investimentos em prevenção devem ser vistos como economia futura. Segundo ele, ações como o “Bota Fora” podem reduzir gastos posteriores tanto na saúde quanto na recuperação de danos provocados por enchentes.
Já Gadotti defendeu que a discussão leve em conta as regiões que ainda não contam com Pontos de Entrega Voluntária. Ele citou a existência de PEVs em Nereu Ramos, no Centro, na Vila Lenzi e na Ilha da Figueira, e lembrou que já solicitou ao Samae a instalação de novas unidades em Santa Luzia e na região de São João, além da possibilidade de atendimento na Barra do Rio Cerro.
Gadotti afirmou que o “Bota Fora” é necessário, mas também cobrou mais responsabilidade da população. Para ele, parte dos descartes irregulares ocorre mesmo quando o morador teria condições de levar o material a um local adequado. O vereador citou casos de colchões, sofás e televisores abandonados em áreas impróprias, causando poluição visual, danos ambientais e prejuízos à cidade.