Os vereadores mirins de Jaraguá do Sul aproveitaram a participação do presidente da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), Anderson Kassner, na sessão desta quarta-feira (26), para fazer questionamentos sobre alguns dos principais desafios ambientais e relacionados à causa animal no município.
Convidado a participar da sessão a partir de requerimento do vereador mirim Elias Marchner, Kassner apresentou inicialmente os trabalhos desenvolvidos pela fundação, mas a segunda parte do encontro foi marcada pelas perguntas dos estudantes.
Entre os temas abordados estiveram a realização de atividades de educação ambiental nas escolas, a ausência de um canil público no município, os procedimentos para adoção de animais, o destino daqueles que não encontram um novo lar, o principal desafio atual da Fujama e a investigação sobre a espuma encontrada recentemente no Rio Jaraguá.

Escola pode agendar palestras e visitas
O vereador mirim Elias Marchner questionou como as escolas podem agendar atividades com os profissionais da Fujama, incluindo palestras e exposições sobre fauna e flora.
Kassner explicou que as instituições devem entrar em contato com a fundação para realizar o agendamento. Segundo ele, a escola pode escolher entre receber os profissionais em sua própria sede ou levar os estudantes para participar das atividades no parque administrado pela Fujama.
Durante a apresentação, o presidente também destacou que a educação ambiental é um dos quatro eixos de atuação da fundação, ao lado do licenciamento ambiental, da fiscalização e do bem-estar animal.
Por que Jaraguá do Sul não tem canil público?
Um dos questionamentos que mais chamou a atenção foi feito pela vereadora mirim Roberta Mello Marinho, que perguntou por que Jaraguá do Sul não possui um canil público.
Em resposta, Kassner afirmou que a manutenção permanente de animais em estruturas fechadas não seria, na visão da Fujama, uma solução adequada. Ele explicou que o município possui atualmente vagas limitadas em serviços de hospedagem credenciados e que os animais resgatados passam por tratamento e tentativas de adoção.
O que acontece com os animais que não são adotados?
Outra dúvida apresentada pelos vereadores mirins foi sobre o destino dos animais que permanecem por mais tempo aguardando adoção.
Kassner explicou que a Fujama tenta encontrar novos tutores por meio das feiras presenciais e virtuais. Quando não há adoção, os animais que não são idosos ou deficientes podem ser devolvidos ao local onde foram resgatados.
O presidente argumentou que manter um animal durante toda a vida em um espaço reduzido também comprometeria seu bem-estar. Já os animais idosos ou deficientes permanecem sob os cuidados do programa. Atualmente, segundo ele, a Fujama possui seis animais nessa situação.
A discussão sobre o tema também levou a vereadora mirim Khamylle Ferraz de Almeida a perguntar em quais dias ocorrem as feiras de adoção. Kassner respondeu que, geralmente, elas são realizadas no segundo e no penúltimo sábado de cada mês, com divulgação pela imprensa.
Como funciona a adoção?
A vereadora mirim Lívia Pereira de Almeida Köhler perguntou quais documentos são necessários para adotar um animal.
Kassner informou que o procedimento exige documentação pessoal e informações sobre o local onde o animal será mantido. Segundo ele, após a adoção, a Fujama pode realizar fiscalizações para verificar se o animal está recebendo os cuidados adequados.
O presidente também destacou que os animais disponíveis podem ser conhecidos tanto nas feiras presenciais quanto por meio da feira virtual.
Durante a sessão, também foi perguntado se os animais recebem chip e vacinas. Kassner afirmou que esses serviços são oferecidos e lembrou que a microchipagem é obrigatória no município, embora tenha reconhecido a dificuldade de fiscalizar todos os tutores.
Causa animal é o maior desafio, diz presidente
Questionado pela vereadora mirim Giullia Louize Pereira sobre qual é o maior desafio enfrentado atualmente pela Fujama, Kassner apontou a causa animal.
Segundo ele, o município investe cerca de R$ 3 milhões por ano na área, mas o problema tende a crescer caso não haja um investimento forte em programas de castração.
Kassner afirmou que o crescimento da população de animais sem tutor é uma preocupação e destacou a importância do trabalho realizado pelas organizações e protetores da causa animal.
A castração foi apontada pelo presidente como uma das principais ferramentas para enfrentar o problema. No ano passado, segundo ele, foram realizadas cerca de 3,2 mil castrações por meio do programa da Fujama.
Espuma no Rio Jaraguá ainda está sob análise
Na área ambiental, o vereador mirim Henzo Gabriel Rux questionou quais foram os resultados da análise da água do Rio Jaraguá após a espuma encontrada no dia 17 de agosto e se a causa do problema já havia sido identificada.
Kassner informou que a Fujama realizou a coleta da água e encaminhou o material para análise por uma empresa terceirizada. Segundo ele, o resultado pode levar cerca de 30 dias.
Caso a investigação identifique o responsável por uma eventual infração ambiental, seja uma empresa ou uma pessoa física, a Fujama poderá realizar a autuação e instaurar o processo administrativo.
Ao encerrar a participação e responder ao questionamento da vereadora mirim Gabriela Alejandra Gaetano Hernandez sobre a mensagem que a Fujama gostaria de deixar aos estudantes e à população, Kassner destacou a importância do cuidado com outras pessoas, animais e seres vivos.
“Faça o bem, que o bem que a gente faz para os outros, seja pessoas, seja os animais, seja qualquer ser vivo, esse bem vai voltar para nós mesmos.”