Na sessão desta quarta-feira (20), os vereadores de Jaraguá do Sul aprovaram uma moção de apelo ao Poder Executivo Municipal para a realização de obras de desassoreamento no Rio da Luz e no Ribeirão Grande da Luz. A proposição é de autoria da vereadora Professora Natália Lucia Petry (MDB).
O pedido destaca a situação do bairro Rio da Luz, especialmente na região onde ocorre o encontro com o Ribeirão Grande da Luz. Segundo a moção, em dias de chuva constante e intensa, as águas do Ribeirão Grande da Luz encontram dificuldade de vazão no leito do Rio da Luz, retornam para o próprio leito e acabam provocando alagamentos nas margens.
A vereadora também aponta que a população local sofre com enchentes recorrentes em razão do grande volume de água. A moção menciona registros fotográficos de 2008 e 2015, anexados ao documento, como exemplos dos transtornos enfrentados pela comunidade.
Outro ponto citado é que as obras de enrocamento do Ribeirão Grande da Luz, na altura da ponte da Rua Eurico Duwe, foram arrastadas por enchentes anteriores. Conforme o texto aprovado, o proprietário das terras que margeiam os dois rios autorizou a entrada em sua propriedade para a execução das intervenções necessárias, inclusive a supressão de parte dos barrancos para ampliar a área de vazão da água.
A moção também ressalta a necessidade de desassoreamento dos dois rios da região e lembra que os serviços de meteorologia e os órgãos de Defesa Civil municipal e estadual têm alertado para a possibilidade de chuvas intensas nos próximos meses.
Vereadores se manifestam
Durante a sessão, Natália afirmou que foi procurada por moradores preocupados com a possibilidade de novas enchentes, especialmente diante de alertas sobre chuvas intensas. A parlamentar explicou que o ponto crítico está justamente no encontro entre os dois cursos d’água, o que dificulta o escoamento em períodos de chuva intensa.
De acordo com ela, o proprietário da área que margeia o rio também sugeriu a criação de um bolsão no terreno, a exemplo da Via Verde, para ajudar a reduzir os impactos das cheias. A vereadora informou que pretende fazer uma visita ao local com a Defesa Civil, moradores e vereadores, para que os técnicos possam avaliar a situação e elaborar um projeto que contemple desassoreamento, enrocamento e a implantação do bolsão.
“Tem solução, precisa agir. Precisa fazer o projeto para que a comunidade se tranquilize com essa questão das cheias previstas nos próximos meses”, afirmou.
Durante a discussão, o vereador Almeida (MDB) também defendeu a importância da prevenção. Ele afirmou que a região sofre com alagamentos frequentes e que os moradores procuram o poder público sempre que há previsão de chuva forte.
Almeida destacou que projetos de enrocamento, desassoreamento e bolsões de contenção são fundamentais, mas ressaltou que é preciso transformar os estudos em obras. Ele citou como exemplo o bairro Santo Antônio, onde, segundo ele, já existem projetos e orçamentos prontos há mais de um ano para intervenções de drenagem, galerias e contenção, com custo estimado em cerca de R$ 10 milhões.
O vereador elogiou o trabalho técnico da Defesa Civil municipal, mas afirmou que o órgão precisa de orçamento próprio e mais robusto para executar ações preventivas. Para Almeida, o Estado também deve participar com mais recursos para obras de prevenção nos municípios.
“Projeto bom não é aquele que fica na gaveta, é aquele que entra em execução”, declarou.
A vereadora Sirley Schappo (Novo) também se manifestou favoravelmente à moção e afirmou que o problema não se limita ao Rio da Luz. Segundo ela, Jaraguá do Sul é uma cidade cortada por rios e ribeirões, o que exige manutenção constante em cursos d’água, galerias e sistemas de drenagem.
Sirley citou situações semelhantes em regiões como Água Verde, Chico de Paulo, Vila Lenzi e Santo Antônio. Ela afirmou que muitos problemas poderiam ser amenizados com um plano permanente de manutenção, limpeza e desassoreamento.
“Uma cidade como a nossa não precisa nem ter meteorologista dizendo que talvez venha El Niño. Tem que fazer a manutenção constante”, afirmou.
Almeida voltou a defender uma ação mais efetiva da Defesa Civil estadual. Segundo ele, o município já assume muitas responsabilidades que deveriam ter maior participação do Estado, e obras de prevenção contra enchentes precisam de planejamento conjunto e recursos compatíveis com a dimensão dos problemas enfrentados pelas comunidades.
Sirley concordou com a necessidade de integração entre Município e Estado. Para ela, ações conjuntas são fundamentais para que as obras saiam do papel e beneficiem diretamente a população.
“No final das contas, quem acaba sofrendo com a situação são as pessoas, o munícipe. Ele pouco quer saber de onde veio o recurso, se foi federal, estadual ou municipal, mas quer que a coisa aconteça”, afirmou.