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Valorização de professores em Jaraguá do Sul é tema de debate na Câmara

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Na véspera do dia dos professores, os vereadores de Jaraguá do Sul levantaram em discussão temas como valorização da classe, “apagão” de novos profissionais e desafios da área na sessão dessa quarta-feira (14). Os parlamentares também reforçaram o papel dos docentes para a comunidade e para o desenvolvimento do município, parabenizando-os pela data.

O assunto foi levantado na tribuna pela vereadora Sirley Schappo (Novo). Ela destacou que, apesar de o interesse e a vocação pela profissão serem essenciais, a valorização financeira intensifica a formação de novos professores e a qualidade do ensino. Ela deu exemplos de sua própria trajetória profissional.

“Eu já dei aula em cursinho pré-vestibular, em terceirão de escola particular e tudo mais. E sempre os melhores alunos, nenhum deles pensava em cursar licenciatura, os melhores alunos pensavam em profissões como medicina, por exemplo. […] Tinha a questão da vocação, doação. […] Tinha, sim. Mas também tinha a questão da valorização financeira”, argumentou na tribuna.

Números do IDEB e da remuneração em análise

Sirley também enfatizou os números do município: Jaraguá do Sul conseguiu a melhor média no IDEB entre as cidades com mais de 100 mil habitantes no estado. Quando o critério populacional é aplicado nacionalmente, Jaraguá fica em terceiro lugar. O índice saiu de 7,0 em 2023 para 7,3 em 2025 nos anos iniciais. A parlamentar, no entanto, cobrou o Executivo em relação aos salários pagos aos educadores.

“A rede municipal paga ao professor iniciante o piso nacional do magistério: R$ 5.130,63. A rede estadual paga um pouco mais para os licenciatura plena, R$ 5.345,60 para o professor iniciante. Mas eu preciso relembrar que lá em 2011, quando o piso nacional do magistério foi instituído, o piso era R$ 1.187,97. E sabe quanto os professores da rede municipal de Jaraguá do Sul recebiam naquele ano? R$ 2.249,06, 89% acima do piso nacional do magistério”, informou.

Para Sirley, o fato de que o município pague apenas um pouco a mais que o piso nacional do magistério explica parcialmente a ida de profissionais das escolas municipais para as estaduais. A esse motivo, somam-se a burocracia e o ambiente de trabalho, que contribuem para o fenômeno, de acordo com ela.

A vereadora também pediu atenção à presença de segundos professores e à educação inclusiva na rede municipal; que, segundo ela, podem contribuir para a qualidade do ensino e para a qualidade do trabalho dos educadores.

Desrespeito e desafios comportamentais

O vereador Cani (PL), em seguida, destacou o comportamento dos alunos no ambiente escolar. O parlamentar fez um relato de uma situação que aconteceu na tarde de terça-feira (13), em uma das unidades da cidade, em que um dos funcionários da escola foi desrespeitado por dois estudantes com palavrões.

“Não vou aqui expor os adolescentes de forma nenhuma, mas que isto sirva de exemplo para que não seja seguido pelos mais adolescentes, e também para que nós venhamos a nos despertar em cuidar melhor dos nossos profissionais da educação que tanto fazem pelos nossos filhos e filhas. Que nós, pais, venhamos em casa orientar os nossos filhos a nunca ousar erguer a voz com um professor ou com algum profissional da educação”, frisou.

Cani ainda reforçou a diferença que, segundo ele, é necessária. Para ele, a escola deve fornecer formação curricular e pedagógica enquanto as famílias devem fomentar valores como obediência e civismo.

Em aparte, o vereador Almeida (MDB) criticou a postura de pais que não reconhecem o mau comportamento de seus filhos. Ele recordou episódios que demonstram o rigor da educação cívica no passado e garantiu que a falta desse critério é um dos principais obstáculos para o ensino de qualidade.

“Porque hoje existe muito um ‘mimimi’ de aluno que vai em sala de aula para aprontar […] e o professor não tem autoridade de chamar a atenção. E quando faz a repreensão, o pai vai lá na escola fazer ‘mimimi’ do porquê que o filho, o queridinho, o anjinho foi chamado a atenção. Então, infelizmente, os professores ainda têm que enfrentar isso”, declarou.

O vereador Delegado Mioto (União) reforçou a fala de Almeida e argumentou que muitos conflitos causados por alunos em salas de aula têm de ser resolvidos pelas forças de segurança pública.

“Hoje a coisa mais comum — os colegas que trabalham lá sabem disso —, de diretores, professores indo junto com alunos por causa de enfrentamento desses alunos, ameaças, e isso está acabando dentro da delegacia. E a gente não via isso aqui em Jaraguá. E hoje está se tornando comum, infelizmente”, explicou.

Mioto qualificou como inversão de valores a atitude de pais que protegem os filhos de advertências e punições, presumindo sua inocência.

Vereador examina rede municipal

O vereador Professor Fernando Alflen (PL), ao usar a tribuna, discutiu os critérios para a concessão de feriado do Dia do Professor nas diferentes redes de educação. Enquanto as redes municipal e privada anteciparam a folga para essa terça (13), a rede estadual comemorará o feriado na quinta (15). Alflen frisou, no entanto, que os docentes da rede municipal participaram de um evento dedicado a eles na SCAR. O parlamentar cobrou a Prefeitura.

“Que o dia do professor possa mais uma vez voltar na rede municipal como um dia de folga. […] Porque nós, professores, nós não estamos lá trabalhando em uma instituição como uma empresa, produzindo para ter valores, né, e sim estamos lá produzindo conhecimento. E produzir conhecimento também merece um dia de descanso”, reforçou.

Alflen lembrou ainda que outros profissionais que atuam nas escolas não foram chamados, como diretores, supervisores e secretários, apesar de muitos deles já terem atuado como educadores nas salas de aula. O vereador questionou, também, a remuneração para títulos na rede municipal em comparação com a estadual.

“Hoje, a rede estadual, um professor que ele tem mestrado, ele já inicia com um valor praticamente R$ 1.000 de diferença; doutorado, R$ 2.000 de diferença, que isso ainda é pouco para um professor para essa função. Muito pouco, mas sabemos que já há uma diferença, não é?”, constatou.

Para ele, essa diferença impacta a retenção de professores e pode prejudicar a educação municipal no longo prazo. “O professor hoje na rede estadual consegue ver um futuro e saber que ele vai iniciar um plano de cargos e salários, que ao final dos seus 25 anos, 30 anos, ele terá um valor referente a tudo o que ele estudou e tudo o que ele investiu na sua carreira, diferente da rede municipal”, acentuou.

Alflen destacou ainda que às 14h dessa quarta-feira (14), a Câmara Mirim fará uma sessão solene em homenagem aos professores no Plenário Victor Bauer. O evento terá transmissão do YouTube da TV Câmara Jaraguá.

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