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Vereadores apontam falta de investimentos da Celesc na infraestrutura

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A Câmara Municipal de Jaraguá do Sul aprovou, na sessão desta quarta-feira (29), um projeto de lei do Executivo que autoriza a abertura de um crédito suplementar de R$ 1,1 milhão para a Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo. O dinheiro será destinado à manutenção e à ampliação da rede de iluminação pública do município, utilizando recursos da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip).

Os recursos deverão ser utilizados em ações de operação, manutenção, expansão e modernização da iluminação pública, evitando a interrupção de contratos e o comprometimento dos serviços.

Entretanto, a votação abriu espaço para um longo debate sobre problemas enfrentados em diferentes bairros de Jaraguá do Sul. Vereadores relataram quedas frequentes de energia, oscilações na rede, equipamentos domésticos queimados e dificuldades para acompanhar o crescimento de determinadas regiões da cidade.

Vereadores criticam postura da Celesc

O vereador Cani (PL) afirmou ter recebido diversas reclamações de moradores da região da Tifa Martins. Segundo ele, as quedas de energia têm ocorrido de forma constante e provocado danos a aparelhos domésticos.

Cani comparou a situação com problemas anteriormente registrados em bairros como Amizade, Três Rios do Norte e Ribeirão Cavalo. O parlamentar afirmou não compreender por que dificuldades semelhantes aparecem sucessivamente em diferentes regiões e pediu que os responsáveis sejam cobrados. Apesar das críticas, declarou apoio ao investimento previsto no projeto.

Na sequência, o vereador Almeida (MDB) questionou se as ocorrências estariam relacionadas aos equipamentos da iluminação pública ou à própria capacidade da rede de distribuição de energia da Celesc. Ele disse ter recebido reclamações semelhantes na região de Santo Antônio e Três Rios do Norte.

Para Almeida, o sistema elétrico não estaria acompanhando o crescimento urbano de algumas localidades. O vereador citou a implantação de novos loteamentos e alertou que o problema poderá se agravar à medida que os terrenos forem ocupados e novas edificações forem construídas.

O parlamentar também afirmou que Jaraguá do Sul é abastecida por apenas duas grandes linhas de transmissão e relembrou um episódio em que a WEG precisou alterar o turno de trabalho diante do risco de falta de capacidade energética na cidade. Segundo ele, pouco teria sido feito desde então para ampliar redes e substituir transformadores antigos.

“Nós temos regiões que, na época de 1994, tinham um transformador de determinada potência. A região cresceu significativamente e continua sendo o mesmo transformador”, criticou Almeida.

O vereador também direcionou críticas à administração da Celesc, afirmando que a distribuição de dividendos aos acionistas estaria recebendo mais atenção do que os investimentos na infraestrutura. Ao mesmo tempo, destacou que o gerente regional da companhia, Danilson Wolff, procura atender às solicitações, mas que muitas decisões dependem de instâncias superiores da empresa.

O vereador Delegado Mioto (União) ponderou que grandes empreendimentos privados não devem ser automaticamente responsabilizados pelos problemas no fornecimento de energia. De acordo com ele, para conseguir a liberação da Celesc, os responsáveis pelas obras frequentemente precisam pagar pela instalação de transformadores e pela ampliação da estrutura necessária para atender às novas construções.

Almeida respondeu que, mesmo quando os empreendedores realizam esses investimentos, eles já contribuem para o crescimento da cidade e pagam impostos, não sendo razoável que precisem arcar duas vezes com estruturas que deveriam fazer parte do serviço de distribuição de energia.

Cani voltou a reconhecer o atendimento prestado pela gerência regional da Celesc, mas reforçou que as soluções dependem de decisões tomadas em níveis superiores da companhia.

O vereador Jonathan Reinke (União) aproveitou o debate para citar outros pontos da cidade que enfrentam problemas semelhantes, como várias vias nas regiões do Rio da Luz e do Rio Cerro. Segundo Reinke, há comunidades em que a quantidade de residências aumentou sem que fossem realizadas melhorias correspondentes na rede elétrica.

O parlamentar também criticou situações em que moradores precisam pagar pela instalação de transformadores para conseguir utilizar equipamentos em suas propriedades. Ele citou como exemplo um transformador que poderia custar cerca de R$ 30 mil.

“São situações que revoltam a comunidade, que procura os vereadores e, por vezes, nós não temos respostas”, afirmou.

Reinke disse que os consumidores pagam tarifas cada vez maiores, mas recebem pouco retorno em investimentos. Assim como os demais parlamentares, ele elogiou o atendimento do gerente regional, mas afirmou que muitas demandas não avançam.

Por fim, o vereador Osmair Gadotti (MDB) lembrou que a Celesc é uma sociedade de economia mista e possui participação do Governo do Estado. Para ele, o Estado precisa cobrar investimentos da companhia e assumir maior responsabilidade diante dos problemas registrados nos municípios.

Gadotti afirmou que, em muitos casos, as melhorias acabam sendo pagas pela Prefeitura, por empresas, loteadores ou proprietários, enquanto a Celesc mantém a cobrança pelos serviços.

“O Estado precisaria se fazer presente e cobrar a própria Celesc, porque o Estado tem deveres para com os cidadãos”, declarou.

O vereador acrescentou que a falta de investimentos na rede elétrica não ocorre apenas em Jaraguá do Sul, mas também em outras regiões de Santa Catarina.

Sessão Ordinária - 29/07/2026

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