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Vereadores cobram Estado após debate sobre falta de efetivo na segurança

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Na sessão desta quinta-feira (26), a Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul aprovou por unanimidade uma moção de apelo apresentada pela vereadora Professora Natália Lúcia Petry (MDB), solicitando ao Governo do Estado a reposição de cinco delegados civis que deixaram de atuar na comarca do município.

Ao defender a proposta, Natália relembrou que já havia levado o tema à tribuna na sessão anterior, quando manifestou preocupação com a possível saída da delegada Roberta França da recém-instalada Delegacia de Atendimento à Mulher. Segundo ela, a confirmação da saída sem previsão de substituição agrava um cenário já delicado na segurança pública local. A vereadora destacou que, embora não haja objeção à atuação de homens na função, a presença de uma delegada mulher é especialmente importante diante da natureza sensível dos casos atendidos, que envolvem violência doméstica e familiar.

Delegada Roberta participou da sessão da Câmara Mirim jaraguaense em 2022

Ela enfatizou que não se pode admitir que uma delegacia criada em janeiro fique sem profissional responsável justamente em um município que registra números expressivos de ocorrências. Além disso, alertou que outros quatro delegados efetivos da comarca estão lotados em outras regiões, sem reposição, o que amplia a sobrecarga dos profissionais que permanecem na cidade e compromete a qualidade do atendimento à população.

O presidente da Câmara, Charles Salvador (PSDB), ressaltou que a reposição dos delegados é uma demanda essencial para manter a estrutura mínima de funcionamento da Polícia Civil e garantir que Jaraguá do Sul continue oferecendo segurança à comunidade.

O vereador Osmair Gadotti (MDB) destacou que Jaraguá do Sul tem se mantido como referência em segurança pública praticamente “tirando leite de pedra”, fazendo o dever de casa com recursos limitados. Ele elogiou a iniciativa da vereadora Natália e frisou que a Câmara cumpre seu papel ao formalizar o apelo ao Estado. Gadotti também chamou atenção para a importância da Delegacia da Mulher no enfrentamento aos crimes de violência doméstica e afirmou que seria impensável imaginar o município sem esse suporte especializado. Para ele, a união dos vereadores em torno da moção demonstra compromisso com a população e reforça a necessidade urgente de suprir, agora já cinco, vagas de delegados na comarca.

O vereador Almeida (MDB) ampliou o debate ao afirmar que a moção, além de legítima, evidencia uma preocupação recorrente da Casa com a segurança pública. Segundo ele, Jaraguá do Sul vem registrando redução no efetivo tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Civil, o que obriga os profissionais a se desdobrarem para atender à demanda. Almeida argumentou que a discussão sobre aumento de efetivo não se restringe à segurança, mas também à saúde pública, já que a sobrecarga tem provocado adoecimento entre os agentes. Ele criticou o que considera falta de sensibilidade do Governo do Estado diante das necessidades do município e sugeriu que, caso a situação persista, a cidade poderá ter de discutir alternativas como a criação de uma guarda municipal, a fim de não continuar arcando sozinha com as consequências da redução de efetivo estadual.

O vereador Jonathan Reinke (União) reforçou que o título de cidade mais segura não pode servir como justificativa para diminuição de investimentos. Para ele, a retirada de delegados e a ausência de novos profissionais passam a falsa impressão de que o município não necessita de suporte adicional. Reinke citou registros recentes de arrombamentos, depredações e brigas divulgados na imprensa e nas redes sociais, alertando que é preciso agir preventivamente para evitar a deterioração dos índices de segurança. Ele enfatizou que tanto o Legislativo quanto o Executivo municipal têm feito sua parte, aprovando projetos e destinando recursos, mas que é fundamental que o Estado cumpra sua atribuição e amplie o efetivo antes que o cenário se agrave.

Já o vereador Cani (PL) fez um apelo direto ao governador Jorginho Mello, pedindo mais investimentos em segurança para Jaraguá do Sul. Em tom enfático, afirmou que os vereadores, independentemente de partido, estão unidos na cobrança e não podem ser vistos como representantes de siglas, mas como defensores da população. Ele reconheceu o trabalho realizado pelo governo estadual em outras áreas, mas pontuou que, no caso específico de Jaraguá do Sul, é necessário maior atenção. Segundo Cani, a reposição de policiais civis e militares é essencial para que o município não perca seu histórico de cidade segura e para evitar que, no futuro, a falta de efetivo resulte em custos ainda maiores aos cofres públicos.

Com a aprovação unânime, a moção será encaminhada ao Governo do Estado, reforçando o pedido de reposição imediata da delegada da Delegacia de Atendimento à Mulher e dos demais delegados efetivos que atualmente não atuam na comarca de Jaraguá do Sul.

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