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FÁBRICA DE SHOW AGORA NEGA RESPONSABILIDADE SOBRE A SCHÜTZENFEST

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Os vereadores de Jaraguá do Sul não ficaram nada satisfeitos com o que ouviram dos dois representantes da Fábrica de Show, empresa terceirizada para organizar a 21ª Schützenfest, a tradicional festa do tiro jaraguaense que acabou com um grande rombo e o calote em pelo menos uma dezena de fornecedores. Os depoimentos contraditórios e as acusações mútuas colhidos ao longo da série de depoimentos de pessoas envolvidas com a organização e realização da festa vão dar muito trabalho para o relator da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul, Justino Pereira da Luz (PT), para chegar às conclusões finais, que devem ser tornadas públicas em 13 de abril.
Justino se dedicará nas próximas semanas a mergulhar nas quatro pastas de documentos e registros da CEI para tentar destrinchar o material. E não descarta promover acareações, já que tanto o relator quanto os vereadores José Osorio de Avila (DEM) e Natália Lúcia Petry (PSB) pediram para constar em ata a sua insatisfação com a falta de responsabilidade e contradições apresentadas por ambos os depoentes, que depois de anunciarem a parceria com o ex-secretário de Turismo, Cultura e Esporte e presidente da Comissão Central Organizadora (CCO) da festa, Ronaldo Raulino, agora o responsabilizam pelo rombo que, segundo a Fábrica, é um pouco mais de R$ 700 mil.
Contrariando depoimentos anteriores, em que a empresa era apontada como a responsável pela festa e a responsabilidade assumida pelo próprio contador José Gentil Nichele, o Zezo, em reunião na Câmara de Jaraguá do Sul no dia 27 de novembro de 2010, quando o mesmo compareceu em reunião com o ex-secretário Raulino e confirmou que todo o ônus da festa ficaria nas mãos da Fábrica, agora tanto Zezo como o dono da empresa, Genilson Medeiros, mudaram o discurso e dizem que somente emprestaram a conta para movimentar os recursos da festa. Genilson assume ser apenas responsável pela organização dos shows nacionais.

[b]CONSELHEIRO SURPREENDEU-SE COM FALTA DE ZELO COM O DINHEIRO PÚBLICO[/b]

Antes dos dois envolvidos deporem na tarde desta quarta-feira, nesta que foi a mais longa rodada, quem depôs foi o conselheiro fiscal da Comissão Central Organizadora (CCO) da 21ª Schützenfest e diretor de Planejamento e de Finanças da Prefeitura, Lauro Stoinski, que disse que tomou conhecimento de sua participação na organização da festa por meio de portaria assinada pela prefeita Cecília Konell. Ele disse que durante a festa assumiu a incumbência de conferir os ingressos das pessoas que os depositavam nas urnas. Para isso, ficou durante todos os dias da festa recluso em uma sala no primeiro andar do pavilhão A, onde com sua esposa e outros membros da CCO contava manualmente todos os ingressos e fazia a triagem dos mesmos e dos tíquetes de bebidas vendidos.
Para exercer a missão de conselheiro, ele pesquisou para saber a real função do conselho fiscal, que é emitir parecer sobre a contabilidade e gestão financeira. E disse que quando detectou que estava havendo demora na prestação de contas, por diversas vezes cobrou de forma verbal do presidente CCO, junto com a associação (a Associação dos Clubes e Sociedades de Tiro do Vale do Itapocu (ACSTVI), esta prestação de contas. Como diretor de Planejamento da Prefeitura, confirma somente o repasse de dinheiro público da Fundação Cultural, que seria de R$ 180 mil, e que foi informado que tinha uma empresa que prestaria contas.
Disse que há divergência de contagem em torno dos barris de chope vendidos. A Fábrica tem uma conta, a Blucredi outra, e não sabe qual a contagem final porque não sabe o que foi destinado para o varejo e os barris cheios vendidos nos camarotes, e disse que não achou em local nenhum este controle. Tanto que há absurdos como ter aparecido apenas cinco barris de 30 litros e três barris de 50 vendidos em uma das contas, mas a Blucredi tem outra contagem, de que teriam sido vendidos sete barris de chope de 30 litros e 26 barris de 50 litros, e também não se sabe a origem, porque ninguém deu a informação correta.
Também há números diferentes entre o que ele verificou e o que a Blucredi tem. “Financeiramente, a festa deveria ser melhor controlada, pelo simples fato de que este dinheiro, público, era depositado em uma conta para uma empresa terceirizada. Deveria ter sido usado um critério diferente.” Segundo Lauro, esta é uma constatação técnica do que ele considera uma negligência, uma falha gritante diante da sua visão econômica e contábil.
Ele não conhecia a Fábrica de Show nem antes nem durante a festa. Só depois, diante da dificuldade de encontrá-los. Encontraram mais ingressos do que a Blucredi vendeu, procurou saber por meio do contador, mas Zezo dizia que queria contar tudo pessoalmente e depois prestar contas. Lauro considera que o contador, por mais despreparado que fosse, deveria ter no mínimo um relatório básico. Ele nem sabe dizer quem contratou a Fábrica de Show. “Nos envolvemos com a festa, e até ali não caberia ao conselho duvidar, pois o presidente teve toda a liberdade e delegou pessoas”.
E a venda paralela de chope e ingressos?, questionou o vereador Isair Moser (PR). Lauro reforçou que as falhas foram verificadas quando foi confrontar os números com a Blucredi. E que ao constatar diferenças em relação aos ingressos e tíquetes de chope, concluiu que houve comércio paralelo. Disse que a prestação de contas na Acijs (Associação Empresarial de Jaraguá do Sul) foi ato isolado do presidente Raulino. O vereador Jaime Negherbon (PMDB) questionou como entraram mais de 117 mil pessoas na festa e há registro de que somente 36 mil pagaram ingressos. Lauro disse que um relatório registra 35.094 pagantes e 3.540 cortesias.
Desconhece que 80 mil pessoas tenham entrado de graça, apesar de alguns dias de portões abertos. E considera que alguém pode ter chutado o número de pessoas, para engrandecer a festa. “Estou convicto que não houve controle rígido de chope e que há ingressos que não foram vendidos pela Blucredi”. Lauro disse que só ficou sabendo da existência da Fábrica de Shows depois da festa e então desconhece também a idoneidade da mesma e se tinha cacife para bancar uma festa destas.
Sobre os R$ 25 mil destinados pela Prefeitura para a decoração, quem faz a conferência é a controladoria para verificar se alguma irregularidade é constatada. Lauro disse que com relação à participação da Prefeitura, entende que foi entregar o parque em condições de uso para a festa, o que na sua concepção foi feito um verdadeiro milagre, e um compromisso da prefeita.
Se teve conhecimento de doações que a Prefeitura tenha recebido para a festa, disse que tem que ver a documentação, mas sabe que a única verba que viria seriam os R$ 100 mil da emenda do senador Raimundo Colombo, que por causa de inadimplência em algum órgão não aconteceu.
Sobre os R$ 800 mil de captação do Fundo Social, considera que foi mal feito, além da irresponsabilidade de por dinheiro na mão de um terceiro, sem critérios e desrespeitando as normas técnicas. “Se tivesse lá no banco (o dinheiro), daria para repartir um pouco para cada um e ninguém ficar com prejuízo total”, entende. Por fim, citou a frase “Em política, tudo que tem que ser explicado, já está ruim”, do ex-senador falecido Antônio Carlos Magalhães. A quem Lauro atribui o rombo da festa? Entende que se existe um responsável é quem chamou a responsabilidade para si, no caso o presidente, que também merece os louros da festa e à falta de critérios. “Cada um que preside alguma coisa, acaba sendo responsável. Porque não foi aberta conta conjunta?”, questionou.

[b]CONTADOR VOLTA ATRÁS E SE ISENTA DA RESPONSABILIDADE PELA ORGANIZAÇÃO[/b]

José Gentil Nichele o Zezo, contador contratado pela empresa Fábrica de Show, disse que chegou em Jaraguá do Sul em 25 de agosto de 2009, convidado por uma pessoa do Instituto Anita Garibaldi para elaborar orçamentos relativos à festa. Acabou auxiliando na elaboração e correção de pedido de recursos solicitado ao governo do Estado, que havia sido submetido para aprovação no dia 26 do mesmo mês. Como este plano não estava da forma exigida, prorrogou sua estadia.
Neste período, houve divergência entre o instituto e o secretário. E como ele conheceu o dono da Fábrica, Genilson Medeiros, acabou ficando na atividade. Posteriormente, com um novo racha entre a Fábrica e a CCO, que não concordava com condições impostas, ele acabou ficando como executor.
Disse que, “para ajudar”, permaneceu vários meses depois tentando fazer acordo com os fornecedores que não receberam, e agora retornou para prestar esclarecimentos. Isair Moser quis saber o que pode dar tanto prejuízo sabendo-se antecipadamente os preços das bandas e que as bebidas são em consignação. Ele lembrou que há um gasto físico independente do número de pessoas que possa entrar no evento. Considera o prejuízo um conjunto de fatores, de gastos exagerados de itens fora do preço de mercado, muitos dias de graça, aliado aos dias de chuva, que também atrapalharam um pouco.
Disse que quando chegou, o escopo de festa estava elaborado, já se sabia os artistas e bandas, estava todo mundo vivenciando a festa como fato concreto. Nunca trocou uma palavra com a prefeita, disse que a conheceu na festa e a cumprimentou rapidamente, mas que queria ter uma conversa com ela, para saber se o que era imposto era desejo da administração municipal.
Segundo Zezo, a festa correu risco de não acontecer, porque Genilson rompeu contrato e então foi firmado um substitutivo do contrato, onde a Fábrica só assumiria responsabilidade sobre a parte artística. O resto ficou sob responsabilidade da CCO. Este acordo, segundo ele, foi informal e verbal, porque o documento não teria sido devolvido pelo secretário.
Alguns fornecedores foram alertados de que determinados valores estariam respaldados nos possíveis R$ 800 mil do governo do Estado. Disse que em julho já se falava neste valor, que só foi cadastrado em 26 de agosto. Isso contaminou os fornecedores, com o que ele chama de “síndrome dos R$ 800 mil”, que não assinaram contratos. E quando se deu conta que os R$ 800 mil não viriam, já era tarde.
Isair perguntou de que maneira se pretende pagar os credores. Ele de certa forma se isentou ao dizer que os fornecedores não apresentaram ordem de serviço ou autorização. A responsabilidade sobre os pagamentos, ele acredita que seja da CCO, pois se teve acordo que a Fábrica ficaria responsável pela parte artística.
O vereador Amarildo Sarti (PV) quis saber quem o contratou de fato. Em um primeiro momento, disse que foi o instituto, e no final ficou como representante da Fábrica de Show, pois a conta estava em nome da mesma. Zezo confirmou que a conta era assinada por Genilson e Raulino, que autorizava os pagamentos. Ele tinha uma autorização para representar a empresa, nega que tenha feito saque de dinheiro em seu nome.
Todo o dinheiro movimentado na festa foi feito pela conta da Fábrica. Este dinheiro seria autorizado mediante pagamento com assinatura. Negou que fosse contador da empresa, disse que apenas trabalhou para a empresa neste evento. Disse que deveria haver três assinaturas, do Genilson, do Raulino e uma terceira da associação, mas o banco disse que o contrato da Blucredi era só com a Fábrica e não previa que Raulino precisava autorizar. Esta autorização era mais formal.
O contador também teceu algumas críticas ao pessoal de Jaraguá do Sul que representa a Blucredi, que segundo ele não condicionou a logística para o que a festa exigia, até mesmo com fechamento dos caixas às 3 horas da madrugada, enquanto ainda havia pessoas para comprar bebidas. O banco também nem teria se responsabilizado pelo controle físico. Faltou um pouco de logística para se aprofundar mais. Acha que eles deveriam abraçar toda a parte financeira, pois nem tinha como vender ingresso antecipado.

[b]SE HAVIA PROBLEMAS, CONSELHO DEVERIA SER AVISADO, PONDERA AMARILDO[/b]

Amarildo lembrou que Zezo destoava em sua explanação de outros depoimentos já prestados e questionou: “Porque o conselho fiscal da CCO não foi procurado, já que teria poderes notórios para intervir e dar andamento melhor nas finanças?” Zezo argumentou que só conheceu o pessoal pós-festa, e ficou sabendo que eles ficaram com a guarda das urnas da Blucredi, e estas urnas teriam que ser auditadas por todos os envolvidos. Apontou dois motivos para não apresentar até hoje o fechamento das contas: não teve mapas para verificar se tinha havido falha, e que está pendente os R$ 65 mil vindos do governo do Estado.
Ele disse que conheceu representante da Ambev com o representante das Bebidas Príncipe, e ficou estabelecido os preços dos produtos negociados na mesma, e que posteriormente entraram e contato para dar prosseguimento à parte de marketing. Disse que eles não queiram falar com ele, mas com o pessoal da Ambev. Que conversou com o senhor Carlinhos e a dona Madalena, ambos da Bebidas Príncipe, no sentido de tentar achar uma solução para as pendências, havendo a possibilidade de participar de uma próxima festa. Que conheceu a senhora Madalena durante a festa e informou a ela que um dos motivos da pendência com ela era por conta da própria administração da Bebidas Príncipe, que não aderiu à conta da Blucredi; para logo depois admitir um pagamento de R$ 30 mil que foi feito via eletrônica da conta da Fábrica de Show para a empresa; que este pagamento era relativo à venda do primeiro dia, quando o vereador Amarildo lembrou que na reunião de novembro Carlinhos disse que foi pago um único valor em tal conta. Zezo ainda sustentou que se a Bebidas Príncipe tivesse firmado contrato com a Blucredi iria direto para a contas da empresa fornecedora.
À vereadora Natália Lucia Petry (PSB), que pediu que ele respondesse mais objetivamente e não subestimasse a inteligência dos vereadores, respondeu que pode dizer que a prestação de contas de uma parte das receitas já foi feita; mas a prestação de contas será feita a quem de direito cabe; que o fechamento está dependendo da prestação de contas do Instituto Nimbus referente ao PETC; que é somente uma questão de agendamento de data com a CCO, prevendo que isto será feito em 15 dias. Repassou à comissão a relação de valores solicitados pela vereadora, pronunciando-se um a um com receitas e despesas, totalizando aproximadamente R$ 1,3 milhão, com pequena diferença entre um e outro. Deste total, confirmou movimentação pela Blucredi de R$ 953 mil, que recebeu comissão de 6,5%, e o restante entrou diretamente na conta da Fábrica ou foi movimentado diretamente com saques em boca de caixas.
Se ele conhece a relação dos fornecedores que ainda aguardam recebimento é porque não consolidaram seus débitos porque não apresentaram ordens de serviços ou notas fiscais. Depois de ler a lista destas pendências concluiu que o rombo é de R$ 728 mil, sendo mais da metade para principal lesada, a Bebidas Príncipe.
O secretário de Administração e de Finanças da Prefeitura, Ivo Konell, disse que a movimentação da festa foi de R$ 2 milhões, que observação o senhor faz a respeito? Questionou a vereador Natália. Zezo disse que os valores são contratualmente comprovados. Que ele sabe de uma previsão de receira de R$ 2 milhões, que não se realizou, pois estaria incluídos do R$ 800 mil. Natália lembrou que na reunião de novembro, quando ele esteve junto com o secretário Raulino e outros envolvidos, ele se comprometeu dizendo que todas as dívidas seriam saldadas e que a Fábrica de Show assumiria todo o compromisso. Fato este registrado em reportagens jornalísticas e na gravação da reunião. Ele negou esta declaração e lembrou que disse que estava em negociação e que o resultado era parcial e que os fornecedores deveriam apresentar autorização para fornecimento de serviço ou materiais.
Os vereadores também quiseram saber do calote dado por Zezo em hotéis da cidade. Somente uma pendência no Hotel Kayrós estaria em torno de R$ 40 mil. Ele respondeu que não é laranja, que não é sócio da Fábrica de Show e que foi contratado somente para este evento. Que os cheques apresentados por vereador, assinados pelo depoente, não foram descontados no banco, que referido cheque foi dado em garantia da sua hospedagem; que os valores dados em garantia com os cheques já foram pagos e tem recibo desses pagamentos.

[b]CONTADOR ADMITE QUE PAGA PENDÊNCIAS SE FÁBRICA FIZER A FESTA DE 2010[/b]

Zezo voltou a afirmar que vê a possibilidade de acordar a contratação da Bebidas Príncipe para a festa de 2010, para suprir os débitos da festa de 2009; que não tem contrato laboral com a Fábrica do Show, que na eventualidade de a festa não acontecer acabaram se envolvendo e ficando por aqui. Ele não se considera verdadeiramente contratado pela Fábrica do Show, mas sente-se como um organizador da festa, especialmente porque houve um racha entre a Fábrica e a CCO; que entende que faltou um roteiro a ser seguido; tudo foi feito a toque de caixa. Sustentou que a Fábrica recebeu R$ 147 mil de dinheiro público para o show de Fernando e Sorocaba, que os valores dos shows variam conforme o momento e não sabe dizer porque o senhor Genilson não assinou o contrato com a dupla.
Também citou que os contratos válidos não são o primeiro e o segundo contratos, mas um quarto contrato, que foi ele quem redigiu, e ainda citou um distrato em que a Fábrica desiste da festa, que não foi levado a conhecimento público. Sobre a publicidade da festa, disse que a empresa Tallens, de Florianópolis, foi contratada para isso, mas em determinado momento o orçamento da empresa era mais de R$ 200 mil e diante disso os valores foram reduzidos, mas alguns materiais foram utilizados, que imagina que o restante ficou a cargo da secretaria.
Segundo declarou, a Tallens não recebeu nenhum pagamento através da Fábrica de Show. E tem conhecimento dos valores pagos ao Fernando e Sorocaba, mas não da negociação feita sob este valor, e voltou a afirmar que a movimentação financeira anunciada pelo senhor Ivo precisa ser comprovada. Ao vereador Jaime Negherbon respondeu que como a festa teve prejuízo não há como dizer que a empresa ganhou dinheiro. A faria novamente em outro contexto, pois a festa foi para uma decadência e teve sua credibilidade jogada por água abaixo. Para ele, a Blucredi, por exemplo, independente do lucro da festa teve seus serviços compensados.
Ao vereador José Osório de Avila respondeu que obviamente não trabalhou voluntariamente na festa, que havia uma relação com a Fábrica do Show, que a empresa teria remuneração daquilo que havia sido previsto se houvesse lucro. Não sabe quem levou dinheiro da festa, pois na sua opinião o que aconteceu foi que a festa gastou mais do que recebeu. Garantiu não ter conhecimento de relatório apresentado pela Fábrica de Show e que está de posse do senhor Ivo Konell. Ao vereador Justino Pereira da Luz (PT), respondeu que resume o insucesso da festa à falta de experiência dos envolvidos e também à ingenuidade em relação à captação de recursos.

[b]DONA DA FÁBRICA CITA, MAS NÃO PROVA, QUE DESISTIU DOS CONTRATOS QUE ASSINOU[/b]

Genilson Medeiros, dono da Fábrica de Show, empresa contratada para administrar a festa, contrariando tudo o que foi divulgado e nunca contestado a respeito da festa, alega que só tinha responsabilidade sobre a contratação de bandas e isentou-se de qualquer outro compromisso. Ele disse que manteve seu nome porque já estava envolvido e forneceu a conta de sua empresa. Disse que toda a ordem de pagamento e fechamento de caixa eram autorizados por ele, com sua assinatura. Recordou que a Fábrica chegou por meio do instituto Anita Garibaldi, e como ele atua no ramo de shows, chegou até a festa.
Seu relacionamento com o secretário Raulino, segundo ele, foi o pior possível. E garantiu que poderia ter realizado a festa gastando a metade do que foi gasto. Como exemplo, Genilson disse que o secretário impôs uma segurança de pouca qualidade, mas ele trouxe uma equipe de Florianópolis. Que quem arrecadava ingressos era Heitor e Raul com a sua mulher.
Justificou ao vereador José Osorio alguns pagamentos antecipados, como no caso da RBS, que disse que cobra antecipado. Lembrou que artistas também são pagos antecipadamente, e o pessoal operacional tinha que pagar na mesma noite, por isso estes pagamentos foram eleitos como prioritários. Reforçou que houve desentendimento entre CCO e Fábrica na primeira noite, mas que o rompimento foi uns dias antes.
Genilson reforçou que pagou por meio de sua empresa o show do Fernando e Sorocaba, que envolve muitos pagamentos. Ele nega ter assinado ordem de serviço ou contrato. Disse que uma semana antes da festa brigou com o secretário, quase saiu no tapa com o mesmo, mas Zezo fez acordo com o secretário, onde a Fábrica cuidaria dos shows e o restante o secretário faria o que quisesse.
Este declaração do depoente vai contra o contrato lido pelo ex-secretário na Câmara em 27 de novembro, em que ele, ao lado do contador Zezo, leu as atribuições da contratada e contratante (esta seria a ACSTVI), sem que fosse contestado pelo representante da Fábrica, e que reforçava que a contratada era responsável por: gerenciar, realizar e promover o evento, tendo como obrigações toda parte artística, incluindo shows nacionais, internacionais e DJs, segurança privada, tendas para estandes, tenda de música eletrônica, palcos, banheiros físicos, sonorização, iluminação, decoração de todo o parque, limpeza de todo o parque, montagem e desmontagem dos camarotes no pavilhão C, gerenciar toda a parte de bebidas e dos restaurantes, gerenciar toda a mídia do evento, administrar toda a parte de ingressos e pulseiras de acesso ao evento, administrar toda a parte de vendas de espaços, instalação de parque e brinquedos infantis. Raulino ainda citou que as tendas bonitas foram montadas pela Fábrica e disse na ocasião que a Fundação Cultural cedeu a marca Schützenfest até 31 de outubro de 2009 para a contratada.
Ainda na mesma reunião de novembro, José Gentil disse que tudo tinha contrato: “Tanto na parte de receita como na parte de despesas, tudo tem contrato. Tanto para venda de locação de espaços, camarotes, publicidade… E na parte de contratação de prestação de serviços também nós temos contrato, e como o secretário colocou, através de ofício a gente apresenta”.
Porém, mesmo isentando-se desta responsabilidade no contrato que assinou, Genilson disse que emprestou a conta bancária de sua empresa sem problema algum, e que não conseguia falar com a prefeita. Natália questionou o compromisso dele, que teve uma reunião extra-oficial com os vereadores, ficou de em poucos dias entregar uma série de documentos à CEI, e nunca mais apareceu. Genilson justificou o atraso dizendo que foi orientado pelo seu advogado a não entregar tais documentos e que tem compromissos profissionais, pois realiza festas em outros municípios.

[b]ELE É DONO DA CONTA, MAS QUER QUE O EX-SECRETÁRIO PAGUE[/b]

Seu entendimento é bem claro quanto aos pagamentos de pendências: quem apresentar alguma empresa que tenha contrato ou ordem de serviço, ele vai se responsabilizar. Disse que não tem como ser responsabilizado por uma empresa que ele não contratou, e voltou a repetir que se fosse contratado gastaria a metade. E só vai assumir o ônus de empresa que apresentar contrato.
Assumiu em determinado momento que assumiria o ônus que ficou para trás se ganhasse a festa deste ano. Ele disse que com certeza há esta possibilidade, porque entende que pode se fazer uma festa tão grande como esta gastando a metade do que foi gasto. Disse que várias vezes quis falar com a prefeita, mas o secretário Raulino dizia que ela sabia de tudo e que era ela quem estava mandando.
E que somente o Jorge (Luiz de Souza, presidente da Fundação Cultural) é quem o ouvia e orientava. Acusou o secretário de manipulá-lo. E que delegou funções a Zezo porque era só nele que confiava. Apesar desta declaração, depois do depoimento, Genilson disse a algumas pessoas que o assistiam que “achava que o Zezo estava do lado do Raulino”. E quando foi dito a ele que no vídeo da reunião do dia 27, seu contador se responsabilizou pela festa e em nenhum momento contestou o então secretário a respeito da responsabilidade integral assumida pela Fábrica, simplesmente virou as costas.
O relator Justino questionou como Genilson pode falam que os contratos não têm validade. E de que forma ele se dirigia ao Jorge, como secretário ou como membro da CCO (primeiro vice-presidente)? Ele disse que como secretário e não como membro da CCO, porque Raulino centralizaria todo o poder.
À pergunta de se não concordava com o superfaturamento, porque fazia os pagamentos, disse que tinha empresa para fazer a estrutura por R$ 90 mil e que a empresa local (uma das que levou calote) cobrou R$ 190 mil. Os outros pagamentos, admite que não conseguiu controlar. Reforçou que quem manipulou a festa toda foi o Ronaldo.
A respeito da publicidade, diante de um valor alto da Tallens contratou a agência Tá na Festa, que elaborou plano de mídia mais enxuto. Voltou a dizer que quem deve pagar as contas é quem contratou. E no ponto de vista dele é o secretário Ronaldo Raulino, que mandava em todo o mundo e escolheu a CCO. Se prontificou que vai disponibilizar todos os contratos.
Como o Ronaldo tem que pagar as contas se o dinheiro foi depositado na sua conta?, questionou José Osório. Ele disse que Ronaldo estava contando com receita bem maior do que a realidade. Disse que conheceu Gentil e entregou a festa a ele porque o mesmo conhecia o projeto. Foi o Ronaldo que contratou o Hotel Kayros, que tem R$ 45 mil para pagar?, perguntou o vereador. Genilson disse que desconhece esta dívida.
O vereador Amarildo Sarti questionou porque ele não cancelou os shows, já que a antecipação é só um sinal e não comprometeria um prejuízo tão grande. Genilson disse que sua intenção, no momento, foi de realizar a festa, e admitiu que não quis perder dinheiro com os sinais que deu. Por isso, achou por bem realizar os shows. O vereador lembrou que os contratos estão aí e estão assinados onde ele assume as dívidas, mas ele alega que não pode executar o contrato, e supostamente houve rompimento.
Amarildo lamentou que ele, após abertamente ter deixado claro que não queria prejuízo pessoal, tenha deixado situação tão ruim para Jaraguá do Sul. O vereador foi enfático: isso cheira à grande responsabilidade da Fábrica. O empresário admite que foi “um pouco omisso”.
Com quem ficaram os ingressos do show Fernando e Sorocaba? Segundo ele, os não vendidos estão em poder da Blucredi e o das urnas guardados pela CCO. Isair Moser quis saber de que maneira houve o rompimento do contrato oficial. Ele alegou que houve de maneira verbal. Então, o vereador lembrou que se não houve rompimento formal e por escrito, a Fábrica de Show é a responsável pelo rombo.
Genilson nega novamente responsabilidade e para explicar como o contador assinou contas em seu nome ou forneceu cheques disse que deixou um talão de cheques com Zezo para pagar alguns fornecedores, e assim ficou, para que ele fizesse pagamentos com assinatura do secretário. Justino pediu o adendo do rompimento do tal contrato, e Genilson disse que foi assinado dentro da festa na mesma sala em que a jornalista que prestou assessoria para o evento (a colunista Carolina Tomasselli) trabalhava e que ela viu ele assinando o adendo, mas não foi trazida a cópia e que o secretário não teria nem lhe devolvido tal cópia.
Justino perguntou porque a Fábrica cobrou ingresso do show do Fernando e Sorocaba, se o mesmo foi pago com dinheiro público. Genilson argumentou que isso cobriria os dias de entradas livres. Houve má fé e uso da associação para que a festa acontecesse? Ele nega e disse que não tem conhecimento disso.
A vereadora Natália quis saber qual a receita da festa. Ele não soube dizer, sabe que em torno da receita de R$ 1,3 milhão. Ele disse que os pagamentos foram relatados por José Gentil e que teve remuneração pelos artistas. Qual o saldo da conta hoje? Natália cobrou lembrando que ele ficou de trazer uma prestação de contas, e pediu para registrar que há falta de lógica em suas colocações. Neste momento, ela lembrou que ele disse que não pagou a bebida porque esperava que a empresa abrisse conta, para logo após confirmar que depositou R$ 30 mil.
Genilson argumentou que havia prioridade para shows e bandas, mas não existia dinheiro suficiente para pagar todas as dívidas. Ele pagou R$ 398 mil para os shows nacionais e o restante do dinheiro? Natália voltou a cobrar a falta de comprovação das despesas e destacou que ele, como único gerenciador das receitas da festa, contratualmente, tem responsabilidade para dar satisfação.
Para justificar que um show do Fernando e Sorocaba em uma cidade vizinha custou R$ 70 mil em uma semana e em Jaraguá do Sul custou R$ 147 mil em outra semana, justificou que a dupla cancelou um show de outra cidade para apresentar-se na festa e argumenta que por isso pagou mais. Natália lembrou que com esta declaração ele se contradisse quando falou que zelou pela economia. Natália não se sentiu contemplada com as declarações do depoente e não se sentirá enquanto na vier a prestação de contas oficial para a Casa.
O presidente da CEI, Jean Leutprecht (PC do B), pediu o prazo exato de quando será prestado contas. José Gentil deve fazê-lo para a associação em 30 dias, mas a CEI resolveu dar-lhe prazo de 48 horas para tal. Jean quis saber como ele utilizou a marca, de domínio público. Ele nega que tenha utilizado, bem como negou que teria responsabilidade com a pendência com o Ecad. José de Avila irritou-se: “Vocês então só vieram buscar o dinheiro e mais nada… Quero prestação de contas”, decretou.
“Estamos cansados de suas alusões”, disse Natália. Justino também pediu mais seriedade, pois entende que não se pode jogar a responsabilidade para a associação e quer esclarecer os fatos.

[i]Jornalista responsável: Rosana Ritta – Registro profissional: SC 491/JP[/i]